O governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão parcial das sanções impostas desde 2017 contra bancos da Venezuela. A medida foi divulgada nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, pelo OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), vinculado ao Departamento do Tesouro.
A decisão permite que empresas norte-americanas realizem transações financeiras com quatro bancos estatais venezuelanos: o Banco Central da Venezuela, o Banco da Venezuela, o Banco Digital dos Trabalhadores e o Banco do Tesouro. As operações autorizadas incluem gerenciamento de contas, empréstimos, transferências, seguros, garantias, serviços de cheques e o uso de carteiras digitais e cartões de crédito ou débito.
Entretanto, o OFAC esclareceu que nenhum ativo será descongelado e que transações relacionadas a outras sanções permanecem proibidas. O analista Imdat Oner, professor da Florida International University, comentou que essa decisão indica que os Estados Unidos estão “reabrindo cautelosamente o espaço para que empresas norte-americanas voltem a atuar na Venezuela”.
Oner destacou que, embora as sanções não tenham sido suspensas de forma geral, foram criados canais específicos e legalmente protegidos para a operação das empresas. Ele ressaltou a importância da autorização relacionada ao Banco Central da Venezuela, que pode facilitar negociações em setores-chave, como infraestrutura, e permitir a entrada de moeda estrangeira no país.
A reaproximação entre os EUA e a Venezuela ocorre em um contexto em que a presidente interina Delcy Rodríguez solicitou repetidamente ao governo Trump a suspensão das sanções, argumentando que isso é necessário para incentivar o investimento e impulsionar a economia venezuelana. Desde a prisão de Nicolás Maduro, acusado de narcoterrorismo e outros crimes, Rodríguez criticou a operação que levou à sua captura, mas se mostrou disposta a manter uma relação de cooperação com os Estados Unidos.
A administração Trump elogiou o trabalho de Rodríguez e tomou medidas a seu favor, como a suspensão das sanções que estavam em vigor contra ela desde 2018. Nos últimos meses, a Venezuela também aprovou reformas legais para abrir o investimento a empresas estrangeiras em setores como hidrocarbonetos e mineração, atendendo a solicitações do governo Trump para garantir segurança às empresas norte-americanas.

