Nesta quinta-feira, trechos do depoimento de uma ex-assessora do ministro Marco Buzzi no STJ foram revelados. O depoimento foi prestado ao CNJ e detalha uma rotina de assédio sexual e terror vivida dentro do tribunal.
A ex-funcionária também forneceu informações sobre outras mulheres que teriam sido vítimas de investidas de Buzzi em seu gabinete. Os relatos estão sendo investigados em diferentes procedimentos abertos contra o magistrado no STF e no CNJ.
Segundo o depoimento, uma ex-estagiária terceirizada, que seria sobrinha de uma funcionária do gabinete de Buzzi, foi vista chorando no tribunal. O ministro teria instruído a estagiária a usar o cabelo preso, não usar maquiagem, vestir saias, excluir sua foto de perfil do WhatsApp e utilizar uma foto tirada por ele.
Esse episódio teria ocorrido antes das investidas contra a ex-assessora, que revelou ter tentado ajudar a estagiária no gabinete. Além do caso da ex-estagiária, uma terceira ex-funcionária do gabinete de Buzzi teria pedido demissão após ter sido tocada pelo ministro, em circunstâncias semelhantes às relatadas pela vítima.
Os nomes das possíveis novas vítimas permanecem em sigilo. Nos últimos meses, interlocutores de duas mulheres procuraram os órgãos de investigação, mas os depoimentos ainda não avançaram devido ao receio das potenciais vítimas em relação à exposição do caso.
A defesa do ministro Marco Buzzi nega as acusações de assédio. Na próxima terça-feira, o STJ decidirá se abrirá um processo disciplinar que pode resultar no encerramento da carreira do magistrado no tribunal.


