A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, revelou detalhes sobre um esquema que facilitou a fuga de detentos da unidade prisional em dezembro de 2024. Após mais de um ano presa, ela firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia e, desde o mês passado, cumpre prisão domiciliar.
No depoimento registrado em 9 de fevereiro de 2026, Joneuma afirmou que agiu a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB), com quem mantinha um relacionamento amoroso. Segundo ela, Uldurico teria realizado reuniões com detentos e negociado apoio na fuga por R$ 2 milhões, recebendo um adiantamento de R$ 200 mil. O dinheiro foi repassado em espécie, entregue em caixas de sapato, além de transferências via PIX.
Joneuma contou que conheceu Uldurico quando trabalhava na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas, onde ocupava um cargo administrativo. Ele costumava conversar com os internos e, em 14 de março de 2024, foi nomeada diretora do Conjunto Penal de Eunápolis. No dia seguinte, Uldurico compareceu ao presídio acompanhado de várias pessoas, incluindo o candidato a vereador Alberto Cley Santos Lima, conhecido como Cley da Auto Escola.
Uldurico solicitou uma conversa com os chefes de todas as facções custodiadas no presídio. Joneuma atendeu ao pedido após se sentir pressionada. Uma semana depois, Uldurico retornou ao presídio para conversar com os mesmos internos, incluindo Ednaldo, conhecido como Dada, chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).
Em 14 de outubro de 2024, após perder a eleição para prefeito de Teixeira de Freitas, Uldurico pressionou Joneuma para ter mais contato com Dada, alegando que precisava de dinheiro com urgência para pagar dívidas. Foi nesse contexto que ele negociou a fuga de Dada por R$ 2 milhões.
O plano inicial era favorecer apenas a fuga de Dada e Saguin, sub-líder da facção, mas outros 14 detentos também conseguiram escapar. Joneuma relatou que o combinado era que Dada e Saguin saíssem do presídio no dia 31 de dezembro, mas Dada decidiu antecipar a fuga após ser informado de uma possível fiscalização no dia de Réveillon.
Joneuma afirmou que foi ameaçada por Uldurico para não revelar nada sobre o esquema. Ele também mencionou que metade do dinheiro da fuga seria para um chefe, referindo-se ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, que negou envolvimento no caso.
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público contra Uldurico Júnior e Dada, que ainda está foragido. Mandados de busca e apreensão foram emitidos para endereços ligados a Alberto Cley Santos Lima e Mateus da Paixão Brandão, citados por suposto envolvimento no plano de fuga.

