Uma ex-funcionária terceirizada do gabinete do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relatou em depoimento gravado episódios de assédio sexual. Os relatos incluem toques inapropriados e comentários inadequados durante o período em que trabalhou no gabinete, entre 2023 e 2025.
Duas testemunhas, servidores do gabinete de Buzzi, confirmaram que a ex-funcionária relatava os episódios de assédio enquanto eles ocorriam. A mulher decidiu fazer a denúncia neste ano após uma jovem de 18 anos ter acionado a polícia contra Buzzi, alegando ter sido tocada por ele em uma praia de Santa Catarina, em janeiro.
A ex-funcionária afirmou que não denunciou o ministro antes por medo. A defesa de Buzzi repudiou o vazamento dos depoimentos, alegando que isso viola as regras de sigilo do procedimento.
Os depoimentos foram prestados em um procedimento administrativo que apura a conduta de Buzzi. O ministro está afastado cautelarmente desde o dia 10 de fevereiro, e no dia 14 de abril, o tribunal decidirá sobre a abertura de um processo administrativo que pode levar ao seu afastamento definitivo.
A ex-funcionária contou que começou a trabalhar no gabinete em 2022 e que considerava a oportunidade como a maior de sua vida. Ela relatou que, em um dos episódios, enquanto organizava livros, Buzzi tocou suas nádegas. Em outro momento, ele a chamou para uma área diferente do gabinete e a estapeou nas nádegas.
Ela também mencionou que, em 2025, Buzzi lhe mostrou uma foto de uma mulher seminua e fez comentários sugestivos. Em novembro do ano passado, a mulher disse que tomou coragem para reagir quando Buzzi a tocou novamente, e ele pediu desculpas pela ‘brincadeira’ ao perceber seu desconforto.
As testemunhas confirmaram que a ex-funcionária relatava os episódios de assédio e tentavam ajudá-la, trocando horários de trabalho e substituindo-a em algumas funções. Um servidor afirmou que, ao ser questionado sobre os relatos, considerou que configuravam assédio sexual.
A defesa de Buzzi reiterou que repudia o vazamento e afirmou que a divulgação visa pressionar o tribunal. Em decisão unânime, o STJ afastou o ministro por importunação sexual a duas mulheres.


