Delegados do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) apresentaram, nesta quinta-feira (23), detalhes sobre um esquema que desviou cerca de R$ 14 milhões de uma conta jurídica do banco Santander, em São Paulo.
Um ex-gerente da instituição utilizou as credenciais do cliente para acessar os valores e realizar transferências. Durante a operação, foram apreendidos 14 celulares, 21 dispositivos eletrônicos (laptops e HDs) e veículos de luxo avaliados em R$ 145 mil em espécie, incluindo dólares e euros.
O desvio ocorreu a partir de uma única conta jurídica, e o banco Santander é considerado vítima da fraude. Três suspeitos foram presos, enquanto outros dois estão foragidos. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados devido às prisões temporárias.
Entre os presos estão o ex-gerente, um contador e um advogado. A Polícia Civil informou que o gerente, que atuava no setor de pessoas jurídicas, monitorava contas com valores expressivos utilizando suas credenciais. O golpe consistia em obter a senha da conta empresarial e repassá-la aos demais integrantes do grupo criminoso.
““O gerente estava muito próximo dos criminosos, participando de conversas onde era orientado a apagar mensagens e ficar alerta com a polícia”, destacou o delegado Christian Nimoi, titular da 4ª DCCIBER.”
Com as informações em mãos, a quadrilha acessava a conta e realizava transferências, muitas vezes durante a noite ou madrugada, para evitar a detecção pelos sistemas de segurança. Os desvios foram feitos através de operações como PIX e TED, além de boletos.
O diretor do DEIC, Ronaldo Sayeg, afirmou que “essa operação é significativa, porque representa uma das linhas de enfrentamento do departamento, que é o crime organizado do colarinho branco, cometido por trás de um computador”. O objetivo era “pulverizar” os R$ 14 milhões em vários depósitos e contas diferentes para escapar do monitoramento.
O dinheiro era enviado para contas abertas por um contador em nome de empresas de fachada e “laranjas”, dificultando o rastreio da origem ilícita. A operação, denominada Infidelitas, cumpriu cinco mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em São Paulo e Goiás.
Funcionários da instituição utilizavam credenciais corporativas para acessar as contas dos clientes, desviando valores por meio de TED, PIX e boletos. A segunda fase da Operação Operatio Infidelitas resultou em 22 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão, em dez endereços na cidade de São Paulo, seis na região metropolitana e outros seis no estado de Goiás, com apoio das autoridades locais.
Além dos veículos, foram apreendidos R$ 145 mil em espécie, nove armas de fogo, 14 celulares e 21 eletrônicos.


