Rodrigo Silva das Neves, ex-policial militar preso desde 2021, foi condenado por homicídio triplamente qualificado na tarde de hoje, 10 de abril de 2026, em relação ao assassinato do bicheiro Fernando Iggnacio, ocorrido em 2020.
A sentença foi proferida por volta das 18h. A defesa de Rodrigo anunciou que irá recorrer da decisão. De acordo com a acusação, o ex-PM estava presente no local do crime, cedeu o veículo utilizado no assassinato e, em seu apartamento, foram encontradas as armas do crime. Um diário encontrado por investigadores revelou que ele lamentou o dia em que as armas foram descobertas.
Durante os debates, o Ministério Público destacou o poder dos bicheiros e contraventores em ordenar mortes, com a colaboração de agentes públicos. “A contravenção é um dos grandes cânceres desse Estado”, afirmou a promotora Andréa Fava.
O defensor de Rodrigo, Luiz Felipe Alves e Silva, argumentou que não havia provas que o ligassem diretamente à execução, questionando a ausência de exame de digitais nas armas encontradas em sua residência e negando qualquer participação dele no assassinato.
O júri popular de Rodrigo Silva das Neves foi retomado às 10h45 de hoje. Na quinta-feira, 9 de abril, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, incluindo o delegado responsável pela investigação e o piloto de helicóptero que prestava serviços à vítima. Os debates entre acusação e defesa ocorreram nesta sexta-feira.
O julgamento teve início com três réus. Além de Rodrigo, estavam sendo julgados Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, conhecido como Pedrinho, e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro. Durante a sessão, ambos pediram a destituição do advogado Flávio Fernandes, que havia alegado insanidade mental de Pedro e solicitado sua absolvição, pedido negado pelo juiz. Com isso, o júri de Pedro e Otto foi suspenso e será remarcado.
Rodrigo, Otto e Pedro são acusados de executar Fernando Iggnacio, que foi assassinado em novembro de 2020. O bicheiro Rogério Andrade, apontado como mandante do crime, está preso, mas não faz parte deste julgamento. A defesa de Rodrigo nega as acusações e qualquer ligação com Rogério Andrade, afirmando que a investigação da Delegacia de Homicídios foi “uma farsa”.
Fernando Iggnacio, genro do contraventor Castor de Andrade, foi executado em 10 de novembro de 2020, em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes, logo após desembarcar de um helicóptero. Ele foi alvejado por tiros de fuzil 556. Segundo as investigações, a morte de Iggnacio foi encomendada por Rogério Andrade, sobrinho de Castor de Andrade.
Rogério Andrade foi preso em outubro de 2024 e transferido em novembro para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. O STF negou pedidos de liberdade de Andrade, que permanece preso e responde a um processo separado, tendo acompanhado uma das audiências por videoconferência.


