O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, alterou sua estratégia de defesa e agora busca fechar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada por Caio Junqueira, analista político.
A mudança na postura de Costa ocorre após as autoridades descobrirem que ele teria recebido mais de R$ 140 milhões em propina através de um esquema complexo de repasse de titularidade de apartamentos e móveis de luxo por Daniel Vorcaro, principal investigado no caso Master. O possível esquema de propina envolvia uma estrutura sofisticada, com empresas de fachada, uso de laranjas e funcionários próximos a Vorcaro.
““É muito pouco crível a ideia de que uma estrutura tão complexa e robusta tenha sido criada da noite para o dia só para agradar o ex-presidente do BRB”, avaliou Clarissa Oliveira, analista política.”
A complexidade do esquema, que envolve uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, sugere que outras pessoas podem estar envolvidas.
““Você não mantém um esquema com uma fraude bilionária como essa sem ter políticos e pessoas influentes na sua rede de pagamento”, afirmou Clarissa Oliveira.”
Costa pode contribuir significativamente com as investigações ao explicar como o sistema funcionava e como o dinheiro da propina chegava até ele.
““Seguindo o caminho do dinheiro, muito provavelmente a Polícia Federal tem potencial de desvendar como outras fontes de recursos de Daniel Vorcaro chegaram ao bolso de outras pessoas”, destacou.”
A decisão de Costa de colaborar com as autoridades pode ter chegado tarde demais. Relatos de pessoas próximas ao ex-presidente indicam que ele foi sondado sobre a possibilidade de colaboração quando Daniel Vorcaro foi preso, mas resistiu. Agora, a tendência é que ele consiga um benefício menor do que poderia ter obtido anteriormente.

