A cúrcuma, conhecida por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, pode apresentar riscos quando consumida em excesso. O uso indiscriminado de suplementos à base de cúrcuma tem gerado preocupação entre agências reguladoras em diversos países, incluindo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que recentemente alertou sobre o abuso da curcumina, seu principal componente.
Agências de países como Itália, França, Alemanha, Austrália e Canadá também já emitiram avisos sobre os perigos do consumo excessivo de suplementos que contêm a substância. O fígado é o órgão mais afetado, uma vez que é responsável por funções essenciais como digestão, síntese de colesterol e eliminação de toxinas.
“A curcumina, quando ingerida em altas doses, pode causar lesões hepáticas, mas os mecanismos por trás disso ainda não estão completamente elucidados”, afirma o hepatologista Fernando Pandullo, do Einstein Hospital Israelita. Uma das hipóteses sugere que o sistema imunológico pode provocar uma reação inflamatória.
O uso prolongado de cápsulas com alta concentração de curcumina aumenta o risco de lesões hepáticas, especialmente em pessoas com doenças como cirrose e esteatose, além de indivíduos com obesidade, hipertensão e consumo excessivo de álcool. Sinais como icterícia, cansaço e perda de apetite podem indicar hepatite. “O quadro costuma ser revertido em poucas semanas após a suspensão do suplemento”, relata Pandullo.
Além do fígado, outros órgãos também podem ser prejudicados. O nutrólogo Diogo Toledo, também do Einstein, destaca que a curcumina em doses elevadas pode irritar a mucosa do trato gastrointestinal, causando náuseas, dores abdominais e diarreia, sintomas que estão entre os alertados pela Anvisa.
Toledo ainda ressalta que a crença na segurança do que é considerado “natural” pode ser perigosa. “As pessoas tomam suplementos na maior tranquilidade, algo que jamais fariam com medicamentos”, observa. O mesmo alerta se aplica ao uso indiscriminado de vitaminas, que pode levar a acúmulos tóxicos no organismo.
A suplementação deve ser realizada apenas em casos de deficiência, com orientação médica. A cúrcuma, que possui ação anti-inflamatória, é frequentemente utilizada em cápsulas para tratar artrite e inflamações intestinais. No entanto, a alta concentração de curcumina e formulações que utilizam nanotecnologia podem potencializar os efeitos.
A curcumina, responsável pela coloração amarela da cúrcuma, é extraída do rizoma da planta Curcuma longa. Para preparar a cúrcuma, a raiz é fervida ou aquecida no vapor e depois desidratada. Como tempero, a cúrcuma tem baixa biodisponibilidade, sendo recomendada a combinação com azeite ou outros óleos vegetais para melhorar a absorção. Em sua forma culinária, o consumo é considerado seguro, desde que integrado a hábitos saudáveis.


