Uma fábrica de gelo abastecida por energia solar foi inaugurada em abril de 2026 na comunidade ribeirinha de Santa Helena do Inglês, no município de Iranduba, Amazonas. O projeto, denominado Gelo Caboclo, visa atender a demanda de mais de 30 famílias que dependem da pesca na região.
A nova instalação tem capacidade para gerar uma tonelada de gelo por dia e armazenar até 20 toneladas. Além disso, conta com um poço artesiano para garantir o abastecimento de água de qualidade, sem afetar o consumo da comunidade. A fábrica é alimentada por uma pequena usina de placas fotovoltaicas e baterias de lítio, que asseguram a continuidade da produção.
Nelson Brito, pescador e membro da comunidade, destacou a importância da fábrica para a autonomia local. “Aqui, a principal forma de subsistência hoje é a pesca e o turismo. Antes, tinha o corte de madeira, que o turismo substituiu, mas a pesca continua”, afirmou.
Antes da construção da fábrica, o gelo era adquirido em Manaus, a cinco horas de distância, o que gerava custos elevados e riscos de perda do pescado. “Se a gente precisava de uma tonelada, comprava três, para garantir a manutenção do pescado até o fim da pesca”, explicou Nelson.
A iniciativa foi resultado de uma força-tarefa que envolveu organizações sociais, iniciativa privada e o governo, com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) liderando o projeto. O investimento total foi de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 1,3 milhão da empresa Positivo e R$ 200 mil em baterias da UCB Power.
O gestor da fábrica, Demétrio Júnior, irmão de Nelson, ressaltou que a nova estrutura permitirá que os pescadores compitam melhor no mercado. “Com a fábrica de gelo, o pescador agora pode ir atrás do peixe primeiro e só comprar o gelo se conseguir pescar”, disse.
Além de beneficiar a pesca, a fábrica também atenderá outras cadeias produtivas, como o turismo e a agricultura familiar. Demétrio já planeja diversificar a oferta, incluindo a venda de mantimentos para os pescadores.
O projeto também contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, utilizando energia limpa e mitigando a pegada de carbono da pesca artesanal. Valcléia Lima, da FAS, destacou que o acesso à energia é um desafio na Amazônia e que o modelo da fábrica pode ser replicado em outras comunidades ribeirinhas.

