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Fábrica de gelo solar é inaugurada em comunidade ribeirinha no Amazonas

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de abril de 2026 09:02
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.
Fábrica de gelo solar é inaugurada em comunidade ribeirinha no Amazonas

Uma fábrica de gelo abastecida por energia solar foi inaugurada em abril de 2026 na comunidade ribeirinha de Santa Helena do Inglês, no município de Iranduba, Amazonas. O projeto, denominado Gelo Caboclo, visa atender a demanda de mais de 30 famílias que dependem da pesca na região.

A nova instalação tem capacidade para gerar uma tonelada de gelo por dia e armazenar até 20 toneladas. Além disso, conta com um poço artesiano para garantir o abastecimento de água de qualidade, sem afetar o consumo da comunidade. A fábrica é alimentada por uma pequena usina de placas fotovoltaicas e baterias de lítio, que asseguram a continuidade da produção.

Nelson Brito, pescador e membro da comunidade, destacou a importância da fábrica para a autonomia local. “Aqui, a principal forma de subsistência hoje é a pesca e o turismo. Antes, tinha o corte de madeira, que o turismo substituiu, mas a pesca continua”, afirmou.

Antes da construção da fábrica, o gelo era adquirido em Manaus, a cinco horas de distância, o que gerava custos elevados e riscos de perda do pescado. “Se a gente precisava de uma tonelada, comprava três, para garantir a manutenção do pescado até o fim da pesca”, explicou Nelson.

A iniciativa foi resultado de uma força-tarefa que envolveu organizações sociais, iniciativa privada e o governo, com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) liderando o projeto. O investimento total foi de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 1,3 milhão da empresa Positivo e R$ 200 mil em baterias da UCB Power.

O gestor da fábrica, Demétrio Júnior, irmão de Nelson, ressaltou que a nova estrutura permitirá que os pescadores compitam melhor no mercado. “Com a fábrica de gelo, o pescador agora pode ir atrás do peixe primeiro e só comprar o gelo se conseguir pescar”, disse.

Além de beneficiar a pesca, a fábrica também atenderá outras cadeias produtivas, como o turismo e a agricultura familiar. Demétrio já planeja diversificar a oferta, incluindo a venda de mantimentos para os pescadores.

O projeto também contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, utilizando energia limpa e mitigando a pegada de carbono da pesca artesanal. Valcléia Lima, da FAS, destacou que o acesso à energia é um desafio na Amazônia e que o modelo da fábrica pode ser replicado em outras comunidades ribeirinhas.

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