A família de um idoso de 72 anos processa o Hospital Ceom, localizado em Irecê, no norte da Bahia, que está sendo investigado por provocar a perda de visão em mais de 20 pacientes. Gilberto Pereira Pontes teve complicações após um procedimento oftalmológico e precisou ser atendido em outra instituição, mas não resistiu a uma infecção.
Além de Gilberto, outros 23 pacientes relataram fortes dores e perda total ou parcial da visão após serem submetidos a aplicações intravítreas, um procedimento geralmente considerado seguro e de rápida execução. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão no hospital e apreendeu prontuários médicos e documentos que serão analisados.
Gilberto Pereira Pontes faleceu no dia 31 de março, após ter realizado a cirurgia em 28 de fevereiro. O advogado Joviniano Dourado Lopes Neto, que representa a família de Gilberto e outros 11 pacientes, informou que o idoso começou a sentir dores intensas nos olhos e na cabeça logo após a cirurgia. Ele foi sepultado no cemitério de Irecê.
“”Nos últimos dias de vida, o idoso estava deprimido e muito debilitado”, afirmou o advogado.”
A endoftalmite, infecção grave que pode ocorrer após procedimentos cirúrgicos, foi diagnosticada em Gilberto. Médicos recomendaram aplicações intraoculares de antibióticos, mas a clínica não forneceu anestesia para o procedimento. O idoso conseguiu suportar apenas a primeira aplicação e recusou a segunda devido à dor.
O neto de Gilberto, Albert Medson Menezes Pontes, relatou que o avô apresentou sintomas de depressão nos últimos dias de vida, afirmando que foram 30 dias de muito sofrimento. A família formalizou uma ação contra a clínica no Tribunal de Justiça da Bahia, e outras famílias afetadas também buscam amparo.
“”Tanto a clínica quanto a Sesab e Vigilância Sanitária vão responder solidariamente”, disse o advogado.”
O Hospital Ceom reconheceu as intercorrências e afirmou que está colaborando com as investigações. Sobre a morte de Gilberto, o hospital alegou que ocorreu em outra instituição e sem comprovação de vínculo com o procedimento realizado no Ceom.
A perda de visão impactou significativamente a rotina dos pacientes afetados. Genivaldo Batista de Souza, de 58 anos, perdeu completamente a visão do olho direito e relatou que sua vida mudou drasticamente. Creusa Felissima Souza da Silva, de 79 anos, também perdeu a visão e agora depende de ajuda para as atividades diárias.
Os pacientes foram atendidos em um mutirão oftalmológico realizado pelo Hospital Ceom entre 27 e 30 de março. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que 26 pacientes relataram intercorrências após os procedimentos e suspendeu o encaminhamento de novos pacientes para a unidade.
O Hospital Ceom declarou que realizou 643 procedimentos durante o mutirão e que todos foram feitos dentro dos critérios médicos estabelecidos. A unidade reafirmou seu compromisso com a ética e a segurança assistencial, além de continuar prestando assistência aos pacientes afetados.

