A filha da soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta em fevereiro de 2026, recebe uma pensão cerca de dez vezes menor do que o tenente-coronel acusado de seu assassinato. O advogado da família divulgou os números em uma publicação nesta quarta-feira, 8 de abril.
O pedido de pensão foi protocolado no dia 6 de março junto ao SPPrev (Instituto São Paulo Previdência). O valor depositado foi de aproximadamente R$7,1 mil, referente a três meses, resultando em cerca de R$2,3 mil mensais. A expectativa da família era que a quantia fosse de pelo menos R$2,5 mil por mês.
O último salário bruto do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio e fraude processual, era de cerca de R$28 mil. Ele foi transferido para a reserva da PM a pedido próprio, com uma aposentadoria estimada em cerca de R$20 mil, valor que supera em dez vezes o que a filha de Gisele receberá.
O advogado da família afirmou que tomará medidas legais para garantir uma pensão digna à filha de Gisele e buscará que as despesas sejam pagas pelo tenente-coronel. A defesa de Geraldo foi contatada, mas não houve resposta.
A morte de Gisele, de 32 anos, inicialmente registrada como suicídio, foi reclassificada como feminicídio qualificado após investigações que revelaram inconsistências na versão apresentada por Geraldo. O crime ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento do casal, localizado no Brás, em São Paulo.
O inquérito apontou que o relacionamento entre Gisele e Geraldo era marcado por violência doméstica e controle excessivo. Mensagens analisadas pela polícia indicam um comportamento possessivo do oficial, que controlava a vida financeira e pessoal da esposa. Gisele havia comunicado à família sua decisão de se separar cinco dias antes do crime.
Na manhã do crime, Geraldo afirmou que estava no banho quando ouviu um tiro e encontrou Gisele caída com a arma em mãos. No entanto, a perícia identificou uma discrepância significativa entre o horário do disparo, por volta das 7h28, e o acionamento do socorro, que ocorreu cerca de 30 minutos depois. O exame necroscópico revelou marcas de contenção no corpo de Gisele, sugerindo adulteração da cena do crime.
O Ministério Público denunciou Geraldo por feminicídio qualificado e fraude processual. O caso tramita em segredo de Justiça na 5ª Vara do Júri da Capital, e a Justiça decretou a prisão preventiva do acusado, que permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes. A defesa nega as acusações e sustenta que Gisele cometeu suicídio.


