O filme ‘Moleques’ será lançado em São Luís na próxima sexta-feira, dia 17 de abril, às 19h30, na Praça do Japão, localizada no bairro da Liberdade. A exibição será aberta ao público.
A obra é resultado de uma pesquisa do historiador Roberto Pereira e retrata a capital maranhense poucos meses antes da abolição da escravidão. O filme apresenta as chamadas maltas de moleques, grupos formados por adolescentes escravizados, livres e libertos que dominavam as ruas da cidade em 1888.
Segundo o historiador, a narrativa mostra esses grupos como protagonistas de um cotidiano repleto de conflitos, resistência e expressões culturais.
““É a história de grupos que reuniam dezenas, às vezes centenas, de crianças e adolescentes que andavam pelas ruas de São Luís no século XIX, nas últimas décadas da escravidão”,”
explicou Roberto Pereira.
O curta-metragem tem duração de 16 minutos e foi gravado no Centro Histórico da capital. A produção contou com recursos da Lei Paulo Gustavo e levou cerca de dois meses entre as etapas de produção e gravação, enfrentando desafios típicos de produções realizadas fora dos grandes centros.
O elenco é formado por jovens moradores do Quilombo Liberdade. O estudante Hugo Gabriel e Silva compartilhou sua experiência:
““Quando eu descobri que eu ia fazer um filme, eu fiquei meio feliz, no começo ali eu fiquei meio tímido, mas com o passar do tempo eu consegui fazer minha função e atuar com as pessoas que eu não conhecia.””
De acordo com Roberto Pereira, o curta busca apresentar o passado a partir de novos olhares, dando voz a personagens historicamente silenciados.
““Essa história faz parte de um conjunto mais amplo de resistências da população negra durante a escravidão e no pós-abolição.””
Ele acrescentou que as crianças e adolescentes utilizavam os raros momentos de liberdade para se divertir e que ao transformar essa história em cinema, é possível ampliar o alcance desse conhecimento.
A Lei Paulo Gustavo é uma legislação que garante o repasse de recursos federais a estados e municípios para minimizar os impactos causados pela pandemia da COVID-19 no setor cultural, apoiando trabalhadores e iniciativas culturais afetados pelas restrições sanitárias.


