O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descartou a possibilidade de convidar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro para assumir o Ministério das Relações Exteriores, caso vença as eleições presidenciais de outubro. A decisão vem em meio a crescentes preocupações no meio empresarial sobre essa possibilidade.
Recentemente, durante um almoço em Brasília, seis dirigentes da indústria expressaram críticas à política externa do governo Lula (PT), direcionando suas falas ao assessor internacional da Presidência, Celso Amorim. Um dos empresários questionou o que aconteceria se Eduardo, atualmente morando nos Estados Unidos e considerado um embaixador informal do bolsonarismo, fosse designado para o Itamaraty. A reação dos presentes foi de rechaço unânime.
Os empresários associaram Eduardo ao tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros e à sua proximidade com líderes da direita antiglobalista, além de temas relacionados à agenda de costumes, que não atraem o empresariado.
Um interlocutor próximo a Flávio afirmou que ele pretende valorizar as contribuições de Eduardo na área internacional, mas não cogita nomeá-lo para o Itamaraty, priorizando a diplomacia profissional. Há a possibilidade de indicar Eduardo para um posto menos estratégico nos Estados Unidos, como embaixador do Brasil junto à OEA (Organização dos Estados Americanos), que tem sede em Washington.
Outros interlocutores mencionaram que o nome de Eduardo está muito vinculado ao governo Trump, que enfrenta desafios mesmo entre a base conservadora. Questões como a guerra no Irã e o embate com o Papa Leão XIV têm gerado desgastes entre o eleitorado de direita.
Além disso, aliados de Flávio não veem a possibilidade de retorno do ex-assessor internacional Filipe Martins ao Palácio do Planalto. Eles afirmam que, em caso de vitória de Flávio, Martins poderia receber uma anistia “ampla e irrestrita”, mas é improvável que retorne a uma posição no governo. Martins foi condenado a 21 anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tendo participado da elaboração da chamada “minuta do golpe”.
Embora Martins seja próximo de Eduardo e Carlos Bolsonaro, sua influência sobre Flávio é considerada bem menor.

