Especialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendaram o desembolso de uma nova parcela de US$ 1 bilhão à Argentina, equivalente a cerca de R$ 4,99 bilhões, do programa de crédito de 48 meses. O valor faz parte do Acordo de Facilidades Estendidas (EFF), aprovado há um ano no total de US$ 20 bilhões.
Esse novo desembolso deve ser aprovado pelo diretório do FMI. Os especialistas destacaram que “o impulso em matéria de políticas se fortaleceu nos últimos meses com a aprovação parlamentar do Orçamento de 2026 e de uma legislação-chave de reforma”. Eles consideraram os avanços na estabilidade financeira como “impressionantes”, permitindo a discussão de um novo “pacote de políticas sólido e equilibrado destinado a consolidar a desinflação, a estabilidade externa e o crescimento”.
O governo ultraliberal de Javier Milei implementou um drástico ajuste orçamentário, que foi criticado pela oposição e por centrais sindicais, mas que conseguiu conter a hiperinflação, um dos principais problemas macroeconômicos da Argentina nos últimos anos. No ano passado, a Argentina alcançou um superávit em suas contas públicas e, com a maioria obtida nas eleições legislativas, tem avançado em reformas, como a trabalhista, apesar de protestos nas ruas.
O FMI projetou que as reservas internacionais líquidas da Argentina aumentem em pelo menos US$ 8 bilhões em 2026. Além disso, o país voltou aos mercados internacionais de dívida em dezembro, emitindo títulos em moeda estrangeira após mais de sete anos de ausência.
A Argentina já entrou em default em várias ocasiões, incluindo em 2001, durante uma explosão social que resultou em 39 mortes, e em 2020, durante a pandemia. As relações com o FMI foram complicadas ao longo das últimas duas décadas, com longas negociações para quitar inadimplências.

