A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que não há risco à saúde pública relacionado ao furto de vírus de um laboratório com nível 3 de biossegurança da Unicamp, em Campinas (SP). O caso envolve a pesquisadora Soledad Palameta Miller e seu marido, Michael Edward Miller, que estão sendo investigados pela Polícia Federal (PF).
A Anvisa confirmou que participou da ação de busca realizada pela PF no dia 23 de março, mas não pode comentar sobre o andamento das investigações, que correm em sigilo. Em nota, a agência afirmou: “Em que pese o fato de a Anvisa não ser a responsável pela fiscalização de laboratórios de pesquisa científica e experimental, os técnicos da agência não constataram, com base nas informações disponíveis até o momento, a hipótese de emergência de saúde em decorrência desse material”.
A PF investiga se Soledad e Michael tentaram vender as amostras biológicas. Embora ainda não existam elementos concretos sobre essa possível venda, a PF está apurando a hipótese. O casal é sócio da empresa Agrotrix Biotech Solutions, que se dedica à pesquisa e desenvolvimento em ciências físicas e naturais.
As investigações revelaram que ao menos 24 cepas diferentes de vírus foram levadas do Laboratório de Virologia, do Instituto de Biologia (IB), para outros laboratórios dentro da Unicamp, incluindo a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde Soledad atua. A PF informou que as amostras foram recuperadas em prédios da universidade, sem indícios de contaminação externa ou terrorismo biológico.
A professora Soledad responde ao processo em liberdade, enquanto a Unicamp realiza uma sindicância interna sobre o caso. A defesa de Soledad argumentou que não há materialidade de furto, afirmando que a pesquisadora utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não ter estrutura própria para suas pesquisas. A defesa de Michael Edward Miller não foi contatada até a última atualização.
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento para investigar se a Unicamp falhou no controle e fiscalização de material biológico sensível. O MPF busca apurar a regularidade do acondicionamento e controle de material biológico, além de possíveis falhas que contribuíram para o desaparecimento das amostras.
As amostras furtadas incluem vírus como dengue, chikungunya, zika, herpes, coronavírus humano, além de 13 tipos de vírus que infectam animais e amostras dos vírus da gripe tipo A. O MPF já enviou ofício à Unicamp e aguarda resposta para coletar informações que possam justificar a abertura de um Inquérito Civil.
A Unicamp, em nota, afirmou que não foi notificada pelo MPF e que responderá assim que receber a notificação. A universidade classificou o furto como um “caso isolado” e garantiu que não envolveu organismos geneticamente modificados.

