O governador do Acre, Gladson Camelí (PP), renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, para disputar uma vaga no Senado nas Eleições 2026. Em um balanço de sua gestão, Camelí destacou projetos e obras realizadas ao longo de mais de sete anos à frente do Estado, além de responder a acusações de corrupção.
A vice-governadora Mailza Assis (PP) assume o governo do Acre com a transição sendo realizada para garantir a continuidade administrativa e a manutenção de programas e políticas públicas em andamento. A renúncia atende à regra de desincompatibilização eleitoral, necessária para quem ocupa cargo público e deseja concorrer a um mandato eletivo.
“Sei que tem muita coisa a fazer ainda e a corrigir, mas sou muito grato a todos servidores do Acre, não falo apenas de secretários, mas também de quem aquela pessoa que serve o café, de quem trabalha em uma empresa terceirizada. Sou muito grato a todos”, refletiu Camelí em entrevista.
Durante sua administração, Camelí fez investimentos em obras de grande porte, além de enfrentar polêmicas como a Operação Ptolomeu e a crise no sistema penitenciário. Um dos marcos de seu segundo mandato foi a abertura de um concurso público na Educação com 3 mil vagas, com investimento de R$ 220 milhões. “A Educação evoluiu muito. Tentamos dar uma condição aos nossos alunos semelhante aos estudantes de uma escola particular”, afirmou.
Outro destaque foi a criação do Programa Auxílio do Bem, que concedeu R$ 150 a famílias em vulnerabilidade social durante a pandemia de Covid-19, estendido para ajudar moradores durante enchentes. “Conseguimos nosso objetivo, implementamos o comitê da Covid para dar assistência às prefeituras”, relembrou.
A gestão também enfrentou crises no sistema penitenciário, com cerca de 13 fugas registradas entre 2023 e 2026, uma rebelião que resultou em cinco detentos mortos e um policial penal gravemente ferido, além da troca de três presidentes do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC). O atual gestor do Iapen, Marcos Frank, foi condenado a 6 anos e 9 meses de reclusão, mas nega as acusações e recorreu.
Gladson Camelí permanece no centro de uma ação penal que investiga fraudes em licitação e desvio de recursos públicos na Operação Ptolomeu. Em maio de 2024, o STJ aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que inclui acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O julgamento foi suspenso após pedido de vista.
Além disso, Camelí é investigado pela Polícia Federal por supostamente ter pago para obter a habilitação de piloto sem realizar a prova prática. Em fevereiro de 2026, a PF esteve em sua residência e apreendeu entre R$ 200 mil a R$ 300 mil em dinheiro e um simulador de voo. Camelí afirmou que participou das aulas e apresentou documentação para comprovar sua habilitação.
Natural de Cruzeiro do Sul, Gladson Camelí nasceu em 26 de março de 1978, é divorciado e pai de um filho. Ele já foi senador e começou sua carreira política como deputado federal. Camelí é bacharel em engenharia civil e filiado ao Progressistas desde 2005.


