Criminosos têm aplicado um novo golpe em São Paulo, fingindo ser gerentes ou funcionários de banco para enganar clientes e desviar dinheiro de contas empresariais. Ao menos três vítimas do banco Bradesco relataram prejuízos que, somados, ultrapassam R$ 80 mil.
O contato inicial ocorre por WhatsApp ou telefone, utilizando linguagem profissional e informações sigilosas, como saldo bancário, para aumentar a credibilidade. Os golpistas orientam as vítimas a acessar links, escanear QR Codes ou inserir códigos no aplicativo do banco, permitindo a realização de transferências e a contratação de crédito.
Os casos foram registrados em boletins de ocorrência como estelionato na capital, nos bairros de Vila Buarque e Jardins, e em Guarulhos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as vítimas devem fazer uma representação após registrar o boletim de ocorrência para dar continuidade às investigações.
Uma das vítimas, a escritora e jornalista Claudia Castelo Branco, de 40 anos, perdeu R$ 20,5 mil após ser orientada por supostos funcionários do banco a configurar o aplicativo na última segunda-feira (6). O contato começou com mensagens de um homem que se apresentou como o novo gerente da conta. Sem desconfiar, ela pediu ajuda para configurar o aplicativo após trocar de celular.
““Roubaram o dinheiro do livro que passei anos escrevendo”, lamentou a escritora. “Quero meu dinheiro e quero alertar todo mundo. Não tem que ter vergonha, temos que ir atrás do nosso direito.””
Após o contato, Claudia recebeu uma ligação de cerca de 40 minutos, onde foi instruída a acessar um site e escanear um QR Code. Horas depois, notou transferências via PIX, uma de R$ 7 mil e outra de R$ 13,5 mil, enviadas para uma empresa chamada “TODO CARTÕES LTDA”. Parte do dinheiro foi rastreada e está em disputa com o banco, mas até o momento nenhum valor foi recuperado.
Outro caso ocorreu em Guarulhos com a empresária Ana Maria Ferreira Soares, de 62 anos, que teve um prejuízo de cerca de R$ 18 mil após contato com um falso funcionário que alegou necessidade de atualização cadastral. O golpista enviou um link que parecia ser do banco e, após instruções, a vítima teve sua conta usada para resgates e contratação de empréstimo sem autorização.
O terceiro caso é da psicóloga Deborah Carceles, de 67 anos, que teve prejuízo superior a R$ 50 mil após um golpe no final de março. O golpista se apresentou como gerente e insistiu na atualização cadastral, enviando uma suposta comunicação da Febraban. Apesar de tentar resolver a situação pelos canais oficiais, Deborah enfrentou falhas no aplicativo e dificuldades de contato com a agência.
O advogado Marcelo Frullani, especializado em Direito e Tecnologia da Informação, alerta que os golpes estão se tornando mais sofisticados. Ele recomenda desconfiar de contatos recebidos por telefone ou aplicativos de mensagens e sempre verificar a autenticidade de links e QR Codes.
““A orientação é jamais confiar em mensagens de WhatsApp ou ligações de pessoas que se dizem gerentes do banco”, explica Frullani.”
Se uma pessoa cair em um golpe, o advogado orienta que registre imediatamente um boletim de ocorrência e comunique o banco. Ele ressalta que as instituições financeiras podem ser responsabilizadas, e que é possível ingressar com ação judicial para recuperar os valores.
O Bradesco, em nota, afirmou que não comenta casos que envolvem clientes por questões de sigilo bancário e que os golpes envolvendo falso funcionário têm crescido. O banco reforçou que não realiza ligações solicitando senhas ou acesso remoto ao aparelho e disponibiliza orientações de segurança em seus canais oficiais.


