O governo federal estima que o salário mínimo será de R$ 1.717 em 2027, com início em janeiro. O pagamento, no entanto, será realizado a partir de fevereiro. A projeção consta no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado ao Congresso Nacional em 15 de abril de 2026, conforme determina a Constituição.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias define as metas e prioridades do governo para o ano seguinte. Ela precisa ser aprovada pelo Congresso e orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que representa o Orçamento do ano. Atualmente, o salário mínimo está em R$ 1.621, após um reajuste de 6,79% concedido neste ano.
Se confirmada a projeção da área econômica, o reajuste do salário mínimo em 2026 será de 5,92%, equivalente a R$ 96. O valor definitivo do salário mínimo será conhecido em dezembro, quando será divulgado o INPC de novembro.
O cálculo do reajuste é baseado na soma de dois índices: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses até novembro e o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. Para 2027, considera-se o PIB de 2025, que foi de 2,3%.
No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, a correção do salário mínimo era feita apenas pela inflação do ano anterior, sem aumento real. Com o início do terceiro mandato do governo Lula, a correção passou a incluir o PIB de dois anos antes. Em 2024, o governo propôs e o Congresso aprovou uma limitação do aumento real a um teto de 2,5%, o mesmo do arcabouço fiscal para as demais despesas.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 61,94 milhões de pessoas no Brasil. O Dieese calcula que 29,27 milhões de beneficiários do INSS têm seus rendimentos atrelados ao salário mínimo.
O salário mínimo foi instituído em janeiro de 1936 durante o governo de Getúlio Vargas. Neste ano, completou 90 anos de existência. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, destacou que, embora tenha sido definido com base nas necessidades alimentares do trabalhador, seu valor foi corroído ao longo dos anos.
Economistas alertam que o reajuste real do salário mínimo pode aumentar os gastos públicos, pressionando a taxa de juros e prejudicando o crescimento econômico. A limitação do aumento real a 2,5% gerou uma redução de gastos com benefícios previdenciários de R$ 110 bilhões entre 2025 e 2030.


