Guapé, cidade localizada no Sul de Minas Gerais, se transforma em um novo refúgio para milionários após ser submersa pelas águas do Lago de Furnas na década de 1960. O município, que teve grande parte de seu território inundado com a formação do lago, agora se destaca como um polo de turismo e investimentos.
Durante uma expedição especial chamada “Travessia das Águas”, realizada pelo g1 Sul de Minas e EPTV, foram exploradas as dimensões e a importância econômica do Lago de Furnas. A cidade, que possui cerca de 220 quilômetros de orla, é vista como um “diamante a ser lapidado”, segundo Lenilton Soares, presidente da Associação Guapeense de Turismo.
A inundação de Guapé ocorreu em 1963, quando as comportas da Usina Hidrelétrica de Furnas foram fechadas, submergindo aproximadamente 206 km² do município. Felipe José Dutra, escritor e ativista cultural, relembra o desespero da população na época, que teve que desmanchar suas casas para reaproveitar o material. “Hoje, a gente costuma dizer que existem mais guapeenses fora de Guapé do que dentro”, afirma.
Com o passar dos anos, Guapé foi se reerguendo em áreas mais altas e, a partir da década de 1970, a introdução de novas tecnologias permitiu a produção agrícola e a recuperação econômica. O lago, que antes simbolizava perda, agora é visto como um ativo natural e econômico, atraindo entre 80 mil e 120 mil visitantes por ano.
Nos últimos anos, especialmente após a pandemia, a cidade passou a atrair um novo perfil de visitantes, incluindo investidores de grandes centros urbanos. Flávia Rangel, corretora local, destaca que o crescimento do mercado imobiliário de alto padrão é evidente, com empreendimentos que incluem marinas e helipontos. “Hoje temos compradores de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e até do exterior”, diz.
A movimentação econômica já impacta a cidade, com o crescimento da construção civil e a valorização dos imóveis. Lotes que custavam R$ 80 mil há três anos agora são negociados por R$ 160 mil. Éverton Rubens Teixeira, corretor local, observa que novas oportunidades de trabalho surgiram, como pilotos de lancha e serviços de aluguel por temporada.
Entretanto, o crescimento traz desafios, como a necessidade de infraestrutura adequada e planejamento urbano. O prefeito Pedro Luis Simões (PL) afirma que o desenvolvimento deve ser equilibrado, garantindo qualidade de vida para os moradores. “Estamos organizando a casa, investindo em acessos, saúde e infraestrutura”, ressalta.
Guapé carrega em sua história duas cidades: a submersa e a reconstruída. O lago que causou uma ruptura profunda agora se torna um dos principais ativos do município, refletindo a transformação da cidade em um destino turístico de luxo.

