Estados Unidos, Israel e Irã estão envolvidos em uma intensa batalha nas redes sociais, utilizando propaganda e fake news como armas. Essa guerra virtual é marcada por uma série de vídeos e imagens que retratam explosões e cenas emocionais que nunca ocorreram.
Nos últimos 14 dias, mais de 110 imagens geradas por inteligência artificial foram vistas e compartilhadas milhões de vezes. Embora alguns vídeos sejam reais, muitos outros promovem uma visão distorcida da realidade, apresentando o Irã como uma potência militar superior e sugerindo que a guerra é mais destrutiva para os aliados americanos do que realmente é.
Um dos vídeos falsos mais amplamente compartilhados retrata um ataque com mísseis em Tel Aviv. Além disso, o regime iraniano tem criado animações para reforçar sua narrativa contra os Estados Unidos e Israel. A Casa Branca, por sua vez, utiliza elementos da cultura pop, como boliche e futebol americano, misturando-os com imagens reais da guerra. Um post dizia: ‘Justiça à moda americana’. O ator Ben Stiller, que aparece em um dos filmes mencionados, expressou sua desaprovação em relação ao uso de sua imagem: ‘Nunca demos permissão para isso e não temos interesse em fazer parte dessa máquina de propaganda. Guerra não é filme’.
O governo americano também recorreu a personagens de desenhos animados para demonstrar seu poder em um conflito que resulta na morte de milhares de civis. Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores de Israel publicou uma imagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em uma montagem humorística. A embaixada iraniana na África do Sul zombou da ideia do ex-presidente Donald Trump de querer controlar o Estreito de Ormuz.
Uma nova onda de ferramentas de inteligência artificial tem intensificado essa batalha nas redes sociais. Especialistas afirmam que a guerra moderna não se limita mais ao campo de batalha. A pesquisadora iraniana Mahsa Alimardani, da ONG Witness, destacou que estamos testemunhando uma mudança significativa na forma como a realidade é apresentada e percebida. ‘O mais perverso é o efeito que isso produz: a dúvida. As pessoas passam a não acreditar nem no que é real’, afirmou.
A especialista dinamarquesa Tine Munk, professora na Universidade Nottingham Trent, também comentou sobre a situação: ‘Quando um conflito é apresentado nessa linguagem quase que de jogos, o público não precisa aprender muito sobre a complexidade política real por trás disso. Isso pode mobilizar apoio, mas traz riscos sérios: tira a sensibilidade do público e normaliza uma guerra’.


