A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, estimou nesta quinta-feira (16) que a guerra no Oriente Médio deve impulsionar o valor do salário mínimo em 2027, que deverá ficar próximo da marca de R$ 1.730.
Esse valor supera os R$ 1.717 projetados pelo governo federal no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), divulgado nesta quarta-feira (15). O conflito tem pressionado o preço do petróleo, que opera próximo de US$ 100 por barril nesta semana, impactando a inflação brasileira devido ao reajuste dos preços dos combustíveis.
Em março, a inflação já foi afetada por esse fator. O reajuste do salário mínimo é baseado na soma de dois índices: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses até novembro e o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores.
No caso de 2027, considera-se o PIB de 2025, que somou 2,3%. Uma pressão inflacionária maior neste ano resultará em um salário mínimo mais alto em 2027. O governo, ao projetar o salário mínimo em R$ 1.717, considerou a expansão do PIB em 2025 e uma estimativa para o INPC, em doze meses até novembro, abaixo de 3,6%.
A IFI, por sua vez, estima que o INPC, em doze meses até novembro deste ano, deverá ser maior: de 4,17% em caso de um choque transitório do petróleo e de 4,47% com um choque persistente. Com essas projeções, o salário mínimo ficaria em R$ 1.727 (choque transitório) ou R$ 1.732 (choque persistente).
O valor definitivo do salário mínimo em 2027 será conhecido em dezembro deste ano, quando será divulgado o INPC de novembro.
O salário mínimo serve de referência para 61,94 milhões de pessoas no Brasil, segundo informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Além dos trabalhadores que recebem um salário mínimo, aposentadorias e benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também estão vinculados a esse valor.
O Dieese calcula que 29,27 milhões de beneficiários do INSS têm seus rendimentos atrelados ao salário mínimo. O peso relativo da massa de benefícios equivalentes a até um salário mínimo é de 46% e corresponde a 70,8% do total de beneficiários, conforme o Boletim Estatístico da Previdência de setembro de 2025.


