A guerra no Oriente Médio resultou em uma significativa alteração nas perspectivas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia global, conforme anunciado nesta quinta-feira (9) pela diretora-geral da instituição, Kristalina Georgieva.
Georgieva afirmou: “Se não fosse por esse choque, estaríamos revisando para cima a projeção de crescimento global. Mas agora, mesmo nosso cenário mais otimista envolve uma revisão para baixo do crescimento.” Ela explicou que os danos à infraestrutura, interrupções no fornecimento de suprimentos, perda de confiança e outros efeitos negativos são os principais fatores dessa revisão.
O FMI deve divulgar uma versão atualizada do relatório Perspectivas da Economia Mundial na próxima semana. No relatório anterior, publicado em janeiro, a previsão era de crescimento global de 3,3% para este ano e 3,2% em 2027.
Ao discutir o impacto econômico da guerra, Georgieva destacou que, mesmo no melhor cenário, “não haverá um retorno fácil e imediato” ao status quo anterior. Ela mencionou a situação no Estreito de Bab-el-Mandeb, no Mar Vermelho, que ainda não se recuperou totalmente dos ataques dos Houthis, iniciados no final de 2023. “Eles permanecem estagnados em cerca de metade do nível de 2023”, observou.
Georgieva também comentou sobre o futuro do trânsito pelo Estreito de Ormuz, afirmando: “Não sabemos ao certo o que o futuro reserva. O que sabemos é que o crescimento (econômico) será mais lento – mesmo que a nova paz seja duradoura.” Ela se referiu ao cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
Além disso, a diretora do FMI apontou que os efeitos da guerra continuarão a ser sentidos por um tempo, mencionando a escassez de diesel e combustível de aviação, além da fome que afeta pelo menos 45 milhões de pessoas. Esse problema pode se agravar devido aos altos preços dos fertilizantes.


