O projeto de requalificação da Favela do Moinho, no centro de São Paulo, completou um ano, proporcionando às famílias a chance de trocar a insegurança por moradias dignas. As histórias dos antigos moradores, agora reassentados em unidades habitacionais do CDHU, são marcadas pela resiliência e superação.
Ângelo da Silva, de 27 anos, mudou-se para a Favela do Moinho aos 8 anos com sua mãe. Ele recorda a infância difícil, marcada por quatro incêndios e a precariedade. “Quando eu era pequeno, passamos por quatro incêndios. Minha mãe perdeu tudo, e a gente chegou a morar embaixo da ponte”, contou. Agora, ele vê a nova casa como uma oportunidade de recomeço. “Vai ter mais segurança para meus filhos”, comemorou.
Marcos Daniel Oliveira, de 22 anos, também viveu na favela desde criança e enfrentou diversas fatalidades. “Passei por muitos incêndios. O primeiro foi o do prédio. Minha avó e meu avô perderam tudo e tivemos que morar debaixo da ponte”, relatou. Ele deixou para trás um aluguel de R$ 700 e agora se sente feliz com a nova moradia. “Mudar para cá foi uma mudança de vida para mim, para minha filha e para minha esposa”, afirmou.
Eunice Barbosa dos Santos, de 81 anos, morou na Favela do Moinho por 22 anos e expressou sua alegria ao deixar a antiga casa. “Pensava que, quando eu me mudar, minha vida mudaria completamente. Não vou sentir saudade”, disse. Ela enfrentou desafios, incluindo a perda de um filho e a presença de ratos em sua antiga casa.
A auxiliar de limpeza Fernanda Tatiana Pereira da Silva, de 43 anos, mudou-se da favela após a morte de sua mãe. “Consegui meu apartamento com muita oração e luta. Estou contente porque vou sair do aluguel”, declarou. Francisco Pereira de Araújo, de 50 anos, também deixou a Favela do Moinho após 10 anos, buscando um ambiente mais seguro. “Vou estar em um lugar mais seguro, não é um barraco na favela”, afirmou.
A auxiliar de limpeza Francisca Antônia de Lima, de 41 anos, foi uma das primeiras a deixar a favela e optou por uma moradia definitiva na Cidade Líder. “Estou muito satisfeita com a minha escolha. Eu não tenho palavras”, disse, referindo-se à nova casa que possui quatro cômodos.
Em abril de 2025, o Estado iniciou o reassentamento de cerca de 850 famílias da Favela do Moinho, resgatando sua dignidade após décadas de exposição a riscos. Após um ano, a desocupação da favela alcançou 95%. O local dará lugar a um parque público linear e uma estação ferroviária.


