Leandro Marques do Nascimento, de 46 anos, foi picado por uma cobra jararacuçu (Bothrops jararacussu) em Eldorado, São Paulo, no dia 7 de março. Ele recebeu 20 doses de soro para neutralizar o veneno de cascavel (Crotalus durissus), o que o deixou em estado crítico.
O biólogo Bruno Lourenço explicou que as duas espécies de cobra podem ser confundidas, pois ambas balançam as caudas em sinal de alerta. Contudo, apenas a cascavel possui o guizo na ponta da cauda. “A jararacuçu costuma bater o rabo na folha para fazer um barulhinho”, disse Lourenço, ressaltando que essa ação é uma estratégia para afastar predadores.
Leandro foi picado enquanto pescava com a esposa no Parque Salto da Usina. Ele sentiu uma queimação na perna e, ao olhar, viu sangue e uma marca de picada. O homem conseguiu fotografar a cobra antes de buscar atendimento médico.
O biólogo destacou que, apesar das semelhanças, as diferenças entre as cobras são “mínimas”. A jararacuçu tem veneno necrótico, causando dor intensa, inchaço e risco de necrose, enquanto o veneno da cascavel é neurotóxico e miotóxico, afetando o sistema nervoso e os músculos.
Após a picada, Leandro foi levado ao pronto-socorro da Santa Casa de Eldorado, onde o médico erroneamente identificou a cobra como cascavel e aplicou dez doses de soro antiofídico. O estado de Leandro piorou e ele foi transferido para o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, onde a confusão na identificação do veneno foi confirmada.
Leandro enviou fotos da cobra ao Instituto Butantan, que alertou sobre a divergência na identificação. Apesar disso, o médico da unidade se recusou a seguir as orientações. Após intervenção da Polícia Militar, Leandro conseguiu um encaminhamento para cirurgia, recebendo alta em 6 de abril, mas ainda apresenta sequelas.
O Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua não comentou o caso específico, mas afirmou que segue rigorosamente os protocolos assistenciais. A Santa Casa de Eldorado não foi localizada para comentar o ocorrido.


