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IBC-Br sobe 0,6% e analistas veem economia resiliente, mas sem força para acelerar

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de abril de 2026 10:32
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (16) que o IBC-Br, indicador que serve como prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,6% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, considerando a série com ajuste sazonal.

Esse resultado reforça a percepção de que a economia brasileira continua em expansão no início do ano, embora em um ritmo mais moderado. A composição do índice mostrou que a indústria teve o melhor desempenho, com alta de 1,2%. O setor de serviços cresceu 0,3%, enquanto a agropecuária avançou 0,2%.

No trimestre encerrado em fevereiro, em comparação aos três meses finalizados em novembro de 2025, o indicador acumulou uma alta de 1,1%. Em um período de 12 meses, o crescimento foi de 1,9%.

Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, afirmou que o dado veio dentro do esperado e confirma uma atividade ainda resistente.

““O IBC-Br subiu 0,6% em relação a janeiro, um dado um pouco mais forte do que a nossa projeção de 0,5%. Mas consideramos que o resultado veio em linha, tanto pela composição, próxima do que esperávamos, quanto pela magnitude do desvio. Seguimos enxergando um PIB crescendo próximo de 1,5% no primeiro trimestre e uma atividade que desacelera, mas continua bastante resiliente”,”

disse.

Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, comentou que o número mostra crescimento, mas ainda sem força estrutural para acelerar a economia.

““A leitura do IBC-Br reforça um cenário de crescimento técnico, mas sem aceleração estrutural. A alta mensal de 0,6% é consistente, mas, quando combinada com o avanço limitado no acumulado, aponta para uma economia que cresce abaixo do seu potencial”,”

afirmou.

Ele também destacou que esse cenário impacta diretamente o mercado de crédito.

““Para o mercado de FIDCs, esse ambiente é ambíguo. De um lado, a desaceleração pode aumentar a demanda por estruturas alternativas de financiamento, já que empresas buscam liquidez fora do sistema bancário tradicional. De outro, exige um nível maior de rigor na análise de risco, dado que a capacidade de pagamento tende a ficar mais pressionada”,”

completou.

Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, avaliou que o resultado indica uma atividade mais seletiva e dependente de setores específicos.

““A alta de 0,6% do IBC-Br em fevereiro reforça um cenário de crescimento ainda presente, mas claramente mais seletivo e dependente de setores específicos, como a indústria. Quando se observa a desaceleração e o avanço modesto no acumulado, o dado passa a indicar uma economia que cresce com menor intensidade”,”

afirmou.

Ele acrescentou que esse ambiente favorece alternativas ao crédito tradicional.

““Em cenários de crescimento mais moderado e juros elevados, o crédito tradicional tende a ficar mais restritivo, abrindo espaço para soluções estruturadas, como os FIDCs, que conseguem adaptar prazo, risco e fluxo às necessidades reais das empresas”,”

explicou.

As análises convergem para a percepção de que a economia brasileira continua crescendo em 2026, mas sem impulso suficiente para acelerar o ciclo econômico. Assim, a trajetória dos juros, a oferta de crédito e o ambiente externo permanecem no centro das atenções do mercado.

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