A IBS Comercializadora, parte do Grupo IBS Energy, protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo no dia 15 de abril de 2026. A empresa alega forte desequilíbrio financeiro causado pela volatilidade de preços e restrições de liquidez no setor.
O pedido foi apresentado em conjunto com outras empresas do grupo, a International Business Solutions e a Gama Comercializadora, que atuam no Ambiente de Contratação Livre (ACL). O grupo afirma que gere mais de 1,9 milhão de MWh por ano e atende mais de 150 unidades consumidoras, destacando sua relevância na comercialização e gestão de energia no mercado livre.
Na petição, a IBS atribui a crise a mudanças estruturais no setor elétrico, especialmente à maior volatilidade do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) e à escalada dos preços de energia. O documento aponta que os preços no mercado livre chegaram a subir mais de 120% em um curto período, comprometendo a previsibilidade dos contratos.
A empresa também menciona a redução da oferta de energia e a necessidade de comprar no mercado de curto prazo a preços mais elevados, o que gerou um descompasso entre receitas e obrigações. Além disso, a deterioração das condições financeiras do setor, com aumento da inadimplência e maior exigência de garantias, foi citada como um fator agravante.
O documento ressalta que a crise não é isolada, mencionando casos recentes de outras empresas do setor que também recorreram à recuperação judicial. “Conforme amplamente demonstrado, as requerentes exercem atividade econômica relevante e em pleno funcionamento, enfrentam crise de natureza externa, sistêmica e setorial, apresentam estrutura operacional viável e apta à recuperação e já adotaram medidas concretas de reestruturação”, diz o texto.
A IBS também informou que precisou judicializar um contrato relevante com a Copel após a “ruptura extraordinária” das condições de mercado.


