O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) anunciou na quinta-feira (24) que irá capturar uma onça-pintada que circula na área urbana de Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A decisão foi tomada após mais de um ano de monitoramento e em resposta à repetição de ataques a animais domésticos, o que gerou preocupação entre os moradores da região.
No dia 23 de abril, uma cadela foi atacada pela onça na área urbana da cidade pela segunda vez e acabou morrendo. No ano anterior, a mesma cadela havia salvo outra cachorrinha de um ataque do felino. O avistamento da onça na área urbana é monitorado desde 2024 pelo grupo técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, que inclui órgãos ambientais, forças de segurança e pesquisadores.
Entre as instituições envolvidas estão o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o ICMBio, a Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, a Defesa Civil de Corumbá e organizações da sociedade civil. Desde o início do acompanhamento, o grupo tem realizado ações contínuas para reduzir riscos e entender o comportamento do animal, incluindo o uso de armadilhas fotográficas e orientações aos moradores.
O ICMBio também informou que foram feitas rondas noturnas pela Polícia Militar Ambiental e pelo Prevfogo, brigada do Ibama, e que essas ações serão reforçadas nas áreas onde a onça tem sido avistada. A nota do ICMBio reconhece a apreensão da população após os recentes episódios e confirma o registro de danos a um animal doméstico.
O objetivo é garantir a segurança dos moradores sem comprometer a conservação da espécie. Diante da recorrência do comportamento da onça, que passou a circular com mais frequência em áreas urbanizadas em busca de alimento, foi definida a captura e remoção do animal. Essa medida já havia sido anunciada em março pelo ICMBio, por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap).
A captura está em fase de organização e depende da conclusão de procedimentos técnicos, já que esse tipo de operação é complexo e exige cuidados específicos. O plano prevê a captura da onça, uma avaliação clínica e a soltura em uma área adequada, com monitoramento por GPS após a liberação.
Além das ações emergenciais, as instituições ressaltam que a prevenção de novos incidentes depende da redução de fatores de risco, como o acesso fácil a alimento e a exposição de animais domésticos durante a noite. A participação da população é considerada essencial. Em caso de avistamento de uma onça-pintada, a orientação é acionar imediatamente os órgãos oficiais, como a Polícia Militar Ambiental pelo telefone (67) 99266-4052 ou a Defesa Civil pelo número 199.

