Maria Teresa do Vale Oliveira, de 75 anos, enfrenta uma dura realidade após ser desalojada devido ao temporal que atingiu Juiz de Fora em 23 de fevereiro. A aposentada, que já lida com a neuralgia do trigêmeo, uma condição que causa dores intensas, teve sua casa invadida por lama e alagamentos, resultando em um trauma que afetou centenas de pessoas na região.
Desde a tragédia, Maria Teresa e sua família foram forçados a deixar a residência onde viveram por mais de 40 anos, localizada no bairro Monte Castelo. Embora a estrutura da casa ainda esteja de pé, não há confirmação sobre os danos, e a idosa vive sem saber quando poderá retornar. “A chuva levou a vida que construí ali”, lamentou.
Após o desastre, a família passou por diversas situações, incluindo um abrigo temporário na Escola Municipal Paulo Rogério, antes de se mudar para um imóvel alugado. A nova moradia, a poucos metros da antiga, carece das adaptações necessárias para a saúde de Maria Teresa. Ela e sua filha Flávia Aparecida Ruels de Oliveira dividem a mesma cama em um apartamento improvisado, com móveis emprestados e poucos itens recuperados.
As despesas aumentaram consideravelmente, com gastos mensais superiores a R$ 500 apenas com medicamentos, sendo que o remédio mais eficaz não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nas últimas semanas, Maria Teresa tentou retornar à antiga casa, onde encontrou um ambiente ainda úmido e frio, com marcas de lama visíveis.
As memórias do dia da tragédia ainda assombram a família. A água subiu rapidamente, e um botijão de gás chegou a boiar. O resgate só foi possível graças à ação rápida de seu filho, Ricardo Ruela de Oliveira, que é militar. “Se a gente tivesse ficado, talvez teria morrido”, contou.
Entre as perdas, a máquina de costura de Maria Teresa foi uma das mais sentidas, pois não era apenas uma fonte de renda, mas também um símbolo de afeto e terapia. “Agora nunca mais vou poder fazer, não tenho condições de comprar outra”, lamentou.
A família aguarda o depósito do Auxílio Reconstrução, no valor de R$ 7,3 mil, mas ainda não recebeu retorno sobre o benefício municipal de R$ 800 destinado às famílias afetadas. O filho de Maria Teresa relatou que o cadastro foi feito em diferentes etapas, mas não houve geração de protocolo ou comprovante do primeiro atendimento.
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que o auxílio é destinado apenas a famílias inscritas no CadÚnico e com residências destruídas ou interditadas. A situação emocional de Maria Teresa também se agravou, e seus filhos relatam que ela não é mais a mesma. “Quando escurece, eu já fico preocupada, tenho medo de outra chuva”, disse.
Apesar de tudo, Maria Teresa expressa gratidão por estar viva e por ter sua família ao seu lado, mas sente falta de sua casa e da autonomia que construiu ao longo dos anos. “Eu queria mesmo era estar na minha casa. A gente está aqui, mas não é o nosso lugar”, afirmou. A Prefeitura também destacou que as vistorias e laudos das casas afetadas seguem critérios técnicos de prioridade, e desde a tragédia, foram realizadas 6.511 vistorias.

