A demanda global por terras raras magnéticas deve crescer mais de 30% até 2030, conforme relatório publicado nesta quarta-feira (8) pela IEA (Agência Internacional de Energia).
Segundo a IEA, o consumo desses materiais, essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, motores industriais, automação e eletrônicos, deve ultrapassar 120 mil toneladas no fim da década. A projeção é que a demanda por terras raras cresça mais de 90% até 2050, alcançando 175 mil toneladas.
Atualmente, esses materiais são utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes, que são fundamentais para equipamentos que exigem alta eficiência energética e precisão de movimento. A IEA destaca que a participação dos motores de veículos elétricos nesse mercado deve aumentar significativamente, com a fatia desse segmento na demanda total por terras raras magnéticas dobrando até 2030.
O relatório também aponta que, para desenvolver uma cadeia de suprimento mais segura e diversificada fora da China, serão necessários cerca de US$ 60 bilhões em investimentos ao longo da próxima década, o que equivale a US$ 6 bilhões por ano. Esses recursos devem ser direcionados à mineração, ao refino e à fabricação de ímãs, incluindo projetos já anunciados, mas ainda sem financiamento assegurado, além de novos empreendimentos que possam preencher a lacuna de oferta.
A IEA ressalta que, embora o investimento necessário seja bilionário, ele ainda é modesto diante da dimensão econômica envolvida e dos riscos gerados pela elevada concentração da oferta global. A diversificação da cadeia de terras raras requer não apenas a abertura de novas minas, mas também o avanço nas etapas industriais de maior valor agregado.
Atualmente, a China concentra cerca de 60% da mineração global de terras raras magnéticas, responde por 91% do refino e por 94% da fabricação de ímãs permanentes.
O Brasil é mencionado no relatório em duas frentes. A primeira é ambiental, com a IEA citando a Serra Verde, em Goiás, como um projeto fora da Ásia que demonstra uma rota de processamento baseada em reagentes à base de sais, evitando o uso de ácidos fortes e poluentes. A agência acredita que países como Brasil e Malásia, que desenvolvem depósitos de argila iônica, podem explorar tecnologias alternativas com menor impacto ambiental.
A segunda frente diz respeito à expansão da oferta. A IEA incluiu o projeto Caldeira, da australiana Meteoric Resources, em Minas Gerais, entre os principais projetos fora da China. A empresa já opera uma planta-piloto no estado e produz, em escala de testes, o carbonato misto de terras raras, um produto intermediário obtido após o processamento químico do minério.


