Um indígena do povo Zo’é foi resgatado após ser atingido acidentalmente por uma flecha durante uma caçada na manhã de terça-feira, 31 de março de 2026, na região de Óbidos, no oeste do Pará.
O caso foi divulgado nas redes sociais pelo médico neurocirurgião Erik Jennings, que realiza atendimentos de saúde na área indígena há mais de duas décadas. De acordo com o relato do médico, o acidente ocorreu durante uma caçada de macaco, quando a flecha atingiu a região do abdômen do indígena.
Equipes de saúde e membros da comunidade iniciaram um deslocamento pela mata fechada para encontrar o paciente, que estava entre aldeias. A operação de resgate enfrentou dificuldades devido ao terreno acidentado e às fortes chuvas. Jennings destacou que o território é composto por morros e trilhas sinuosas.
O transporte do paciente foi realizado com técnicas tradicionais utilizadas pelos próprios indígenas, que amarraram uma rede em um pedaço de pau. “Não é precariedade, mas sim uma tecnologia da floresta”, afirmou o médico.
O grupo conseguiu chegar a uma base de apoio por volta das 23h40. No local, o paciente foi avaliado e apresentava quadro estável. Contudo, há suspeita de que a flecha tenha atingido a região de transição entre o tórax e o abdômen, o que pode indicar comprometimento de órgãos internos.
Diante da incerteza, a equipe médica decidiu pela transferência do paciente para a realização de exames mais detalhados, como tomografia de tórax e abdômen. Jennings ressaltou que situações como essa exigem atenção especial, mesmo quando o paciente aparenta estabilidade. “É um paciente potencialmente grave, então precisamos investigar melhor”, explicou.
O atendimento contou com a atuação conjunta de profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), além do apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas e integrantes da própria comunidade Zo’é. O médico também destacou o papel da coletividade no cuidado com o paciente. “Essa é uma rotina de cuidado de um povo com cada um de seus membros”, afirmou.
O indígena segue sob cuidados médicos e aguarda transferência para uma unidade com estrutura adequada para exames de maior complexidade.


