Uma ação itinerante da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) beneficiou indígenas de Aveiro, no sudoeste do Pará, entre os dias 12 e 18 de abril. A programação resultou na emissão de 58 Cadastros Nacionais da Agricultura Familiar (CAF) e na identificação de demandas de crédito rural, ampliando o acesso a políticas públicas no território.
A ação teve foco no atendimento às comunidades indígenas da etnia Sateré-Mawé, no Alto Rio Andirá, em alusão ao Dia Nacional dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semap).
““É um serviço muito importante, porque conecta a produção ao consumo dentro do próprio território. Para nós, não é apenas produto, é tradição, coletividade e união. Ter o Estado presente fortalece o saber ancestral e garante condições para vivermos e trabalharmos com dignidade e sustentabilidade”, afirmou o cacique-geral Samuel Batista.”
O chefe do escritório local da Emater em Aveiro, Fábio Almeida, destacou que a assistência técnica voltada aos povos indígenas considera aspectos culturais e sociais específicos. “A assistência técnica indígena é uma diretriz importante da Emater. O trabalho envolve escuta, respeito às tradições e oferta de tecnologias adequadas, promovendo qualidade de vida e valorização das comunidades”, explicou.
O CAF é um documento essencial para que agricultores familiares possam acessar programas governamentais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e linhas de financiamento. Com a regularização dos cadastros, a expectativa é que 36 aldeias forneçam alimentos como açaí batido e farinha de puba para a merenda de 32 escolas públicas no território indígena, beneficiando cerca de 750 estudantes da educação infantil e do ensino fundamental.
Durante a ação, também foram levantadas demandas para acesso ao crédito rural por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com financiamento do Banco da Amazônia (Basa). Cada projeto pode alcançar até R$ 50 mil. Além disso, cerca de 20 famílias estão sendo direcionadas para o Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais (Fomento Rural), que prevê o repasse individual de R$ 4,6 mil, sem necessidade de devolução, para implantação de pequenos negócios, como a criação de galinha caipira para consumo e comercialização do excedente.

