A indústria de etanol do Brasil está se preparando para um possível aumento na mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, ainda neste primeiro semestre. A confirmação dessa intenção por parte do governo brasileiro seria oportuna, já que o setor está a caminho de uma produção recorde.
A safra de cana-de-açúcar 2026/27 do centro-sul começou no início deste mês, permitindo que o setor ajuste o mix da matéria-prima, que também é utilizada para a produção de açúcar. Especialistas afirmam que o aumento da mistura de etanol na gasolina deve ampliar o percentual de cana processada para a produção do biocombustível no Brasil.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou que o governo pretende aumentar a mistura de etanol na gasolina para 32% ainda no primeiro semestre. Essa declaração ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta desafios relacionados aos combustíveis derivados de petróleo devido à alta de preços provocada pela guerra no Irã.
““É um ótimo momento esta decisão agora, porque estamos no início da safra… as usinas estão no momento inicial de definição do ‘mix” de produção”, disse Mauricio Muruci, analista de açúcar e etanol da consultoria Safras & Mercado.”
A consultoria estima que o mix para etanol deve subir para 54%, um ponto acima da previsão anterior, em comparação com 51% na safra passada. Com mais cana sendo destinada à produção de etanol e a continuidade da forte expansão do etanol de milho, o volume total produzido no Brasil pode alcançar entre 44 bilhões e 44,5 bilhões de litros, um crescimento de cerca de 15% em relação à temporada anterior.
Em março, a Safras & Mercado projetou uma produção de 42,5 bilhões de litros, enquanto as exportações de açúcar do Brasil devem sofrer uma queda significativa, devido aos preços do adoçante que têm oscilado perto de uma mínima de cinco anos.
““O momento é oportuno (para elevar a mistura)”, resumiu Julio Maria Borges, sócio-diretor da JOB Consultoria.”
Associações do setor, como a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) e a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), afirmaram que estão preparadas para aumentar a oferta com uma mistura maior, o que demandará uma produção adicional estimada em 2 bilhões de litros. Mesmo assim, o setor deve manter a oferta adequada para os consumidores, apesar dos altos preços dos derivados de petróleo.
““Em março de 2026, o etanol protegeu o consumidor brasileiro. Enquanto a gasolina acompanhou a alta do petróleo nos mercados internacionais, o biocombustível manteve os preços estáveis nas bombas”, afirmou a Unica.”
A Unica também informou que está monitorando o processo regulatório conduzido pelo Ministério de Minas e Energia e que pode colaborar nas próximas etapas para a implementação da medida. Silveira mencionou que estudos devem ser concluídos nos próximos 60 dias.
A Unica acredita que não haverá problemas de oferta no Brasil, prevendo uma produção em 2026/27 no maior volume da história, com uma expansão estimada em cerca de 4 bilhões de litros. A Unem também indicou que a produção de etanol de milho deve crescer 2 bilhões de litros, volume que corresponde à demanda adicional caso a mistura aumente em dois pontos percentuais.
““Ou seja, para suprir essa demanda adicional bastaria a metade do que o setor (milho e cana) está crescendo nesta safra que se inicia agora, em relação à safra passada”, disse Thiago Skaf, diretor de Relações Governamentais e Sustentabilidade da Unem.”

