O desconforto íntimo pode começar com uma leve coceira, alteração na cor do corrimento ou um odor mais forte. Esses sinais são frequentemente o primeiro alerta de uma infecção íntima. Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indicam que cerca de três em cada quatro mulheres terão pelo menos um episódio de infecção vaginal ao longo da vida.
A maioria dessas infecções é comum e ocorre devido ao desequilíbrio do próprio organismo. Entender as causas e identificar os sintomas precocemente é fundamental para evitar complicações. A seguir, estão as infecções íntimas mais comuns, suas causas e formas de prevenção.
Candidíase é causada pelo fungo Candida albicans, que faz parte da flora vaginal. O problema surge quando há um desequilíbrio que permite a proliferação excessiva do fungo. Os principais sintomas incluem coceira, vermelhidão na região íntima, corrimento branco e espesso, e ardor ao urinar ou durante a relação sexual. Fatores como uso de antibióticos, alterações hormonais, gravidez, diabetes, estresse e baixa imunidade podem desencadear a candidíase. A ginecologista Aline Marques, do Hospital e Maternidade Santa Joana, explica: “Se houver alteração da flora intestinal, o uso de medicação que diminui o trânsito intestinal, igual agora que está tendo uma onda de gente usando ‘canetinha emagrecedora’, isso pode trazer alteração impacto vaginal.”
Para prevenir a candidíase, recomenda-se evitar roupas muito apertadas, preferir calcinhas de algodão, manter a região seca e evitar duchas vaginais internas. Também é importante controlar doenças como diabetes e evitar automedicação.
Vaginose bacteriana ocorre quando há um desequilíbrio das bactérias naturais da vagina, com aumento de microrganismos como a Gardnerella vaginalis. Os sintomas mais característicos são corrimento acinzentado ou esbranquiçado e odor forte, principalmente após a relação sexual. Diferentemente da candidíase, a vaginose costuma causar pouca ou nenhuma coceira. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST), a atividade sexual pode influenciar o desequilíbrio da flora vaginal. Para prevenir, é importante evitar duchas vaginais, não usar sabonetes íntimos agressivos e utilizar preservativo nas relações sexuais.
A ginecologista Iara Moreno Linhares, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo, detalha: “O uso de duchas vaginais é o principal hábito que pode contribuir para alterações na flora vaginal. Isso porque na vagina saudável existem bactérias protetoras, os Lactobacilos, que mantêm o pH vaginal ácido e impedem o crescimento de bactérias patogênicas.”
Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como clamídia, gonorreia e tricomoníase também podem provocar sintomas na região íntima. Essas infecções podem causar corrimento anormal, dor pélvica, sangramento fora do período menstrual e dor durante a relação. Muitas vezes, são assintomáticas, aumentando o risco de transmissão e complicações, como infertilidade e doença inflamatória pélvica. O uso de preservativos é a principal forma de prevenção, assim como exames ginecológicos regulares para diagnóstico precoce.
Infecção urinária, embora não seja uma infecção vaginal, é frequentemente confundida com problemas íntimos devido à proximidade anatômica. Causada, na maioria das vezes, pela bactéria Escherichia coli, os sintomas incluem ardor ao urinar, vontade frequente de urinar, dor na parte inferior do abdômen e urina turva ou com odor forte. As mulheres são mais vulneráveis devido à uretra mais curta, o que facilita a entrada de bactérias. Aline Marques explica: “É muito comum confundir infecção urinária com candidíase, porque geralmente os sintomas podem ser muito semelhantes.”
Medidas eficazes para prevenir infecções urinárias incluem beber bastante água, não segurar a urina por longos períodos, urinar após a relação sexual e realizar a higiene íntima sempre da frente para trás.
Por que as infecções acontecem? A vagina possui uma microbiota natural composta principalmente por lactobacilos, que ajudam a manter o pH ácido e protegem contra microrganismos nocivos. Alterações hormonais, uso de medicamentos, estresse, higiene inadequada e relações sexuais desprotegidas podem romper esse equilíbrio. Os principais fatores de risco incluem umidade excessiva, higiene inadequada e alterações hormonais. Iara Moreno Linhares alerta: “As infecções genitais, se não forem corretamente diagnosticadas e tratadas, podem atingir o trato genital superior, causar inflamação e consequente infertilidade.”


