O inquérito das fake news, iniciado em 2019 para investigar ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), deve continuar até, no mínimo, 2027. A informação foi confirmada por integrantes da cúpula do Judiciário, apesar da intenção do presidente do STF, Edson Fachin, de encerrar o caso.
Fachin afirmou que levará a Alexandre de Moraes apelos para que o inquérito seja encerrado, mas as chances de sucesso são consideradas baixas. O inquérito, que se tornou controverso, abrange uma variedade de temas, incluindo ameaças a magistrados, ataques ao STF nas redes sociais e declarações de figuras políticas.
Entre os casos investigados estão ameaças a juízes em aeroportos, discursos hostis de bolsonaristas, reportagens que desagradam os magistrados e questionamentos sobre documentos de cunho golpista encontrados com o ex-ajudante de ordens Mauro Cid. O inquérito também inclui ordens de prisão de personagens como o ex-deputado Daniel Silveira e investigações sobre acessos ilegais a dados de ministros na Receita Federal.
Como relator do caso, cabe a Moraes decidir sobre o encerramento do inquérito. Especialistas do tribunal acreditam que, em um cenário político polarizado e próximo das eleições presidenciais, o inquérito pode ser utilizado como uma ferramenta de pressão sobre políticos.
O inquérito, criticado por sua abrangência e falta de critérios claros, completou sete anos de tramitação em março. Há uma avaliação de que, em 2027, Moraes poderá assumir a presidência do STF e considerar relevante manter o inquérito ativo, dependendo do contexto político.
Além disso, é amplamente reconhecido que o ex-presidente Jair Bolsonaro tem apoiado candidatos ao Senado com o objetivo de formar uma bancada que possa promover o impeachment de ministros do STF. Nesse cenário, a continuidade do inquérito das fake news pode ser vista como uma estratégia de sobrevivência política.


