Após Israel atacar duas vezes uma das principais usinas petroquímicas do Irã, o país persa retaliou contra uma instalação petroquímica da Arábia Saudita. O Irã prometeu suspender restrições para novos ataques, intensificando a guerra que pode agravar a crise no mercado global de energia.
Israel informou que planeja bombardear linhas férreas no Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou o ultimato, ameaçando que “toda uma civilização vai morrer essa noite”. Ele mencionou um provável crime de guerra contra um país de 90 milhões de pessoas.
““Os parceiros regionais dos EUA também devem saber que, até hoje, por uma questão de boa vizinhança, exercemos imensa contenção e mantivemos considerações na seleção de alvos para retaliação, mas, a partir de agora, todas essas considerações foram eliminadas”, disse a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).”
Os ataques de Israel ocorreram no complexo petroquímico de Shiraz, conhecido pela fabricação de fertilizantes. Israel alegou que a unidade era utilizada para a produção de ácido nítrico, que serve para a fabricação de explosivos. Outro alvo foi uma petroquímica na província de Bushehr, no sul do Irã. A Companhia Nacional de Petroquímica (NPC) do Irã está investigando os danos causados.
Fontes anônimas do Exército dos EUA informaram que ataques foram realizados na ilha iraniana de Khang, onde o Irã concentra cerca de 90% de suas exportações de petróleo e gás. O Irã não confirmou esses ataques.
Em retaliação, o Irã bombardeou “com sucesso” o complexo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita, um dos maiores do mundo. A destruição dessas infraestruturas deve agravar a crise energética global.
““Vamos lidar com a infraestrutura dos Estados Unidos e de seus parceiros de tal forma que os Estados Unidos e seus aliados fiquem privados do petróleo e gás da região por anos”, afirmou a IRGC.”
A Arábia Saudita não se manifestou sobre os ataques ou sua extensão. A IRGC afirmou que os EUA atuam como sócios nas instalações atacadas, incluindo empresas como Sadara, ExxonMobil e Dow Chemical. Outro alvo foi o complexo petroquímico em Ju’aymah, pertencente à Chevron Phillips.
O Irã também bombardeou um navio porta-contêineres de Israel que tentava utilizar o porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos. A IRGC declarou que “a destruição deste navio serve como um alerta severo para qualquer embarcação que tente cooperar com o regime sionista [Israel] e os Estados Unidos de qualquer forma”.
Os ataques desta terça-feira fazem parte da 99ª onda de ataques do Irã desde o início da agressão sofrida por Teerã, em 28 de fevereiro.
No Irã, pelo menos 109 pessoas foram mortas em 24 horas até segunda-feira (6), segundo a Agência de Direitos Humanos do Irã (HRANA). “A grande escala dos ataques nas últimas 24 horas representa a maior taxa de ataques observada nos últimos dez dias”, informou a HRANA. Desde 28 de fevereiro, foram 1,6 mil civis mortos, incluindo 248 crianças, além de 1,2 mil militares iranianos. O status de outros 711 óbitos não foi identificado.


