O Irã anunciou na terça-feira (14) a condenação à morte de quatro manifestantes, incluindo Bita Hemmati, a primeira mulher a ser sentenciada à pena capital por sua participação nos protestos contra o regime iraniano.
Bita Hemmati e seu marido, Mohammadreza Majidi Asl, foram condenados junto a outros dois homens que residiam no mesmo prédio em Teerã. Eles enfrentam diversas acusações, como uso de explosivos, agressão às forças de segurança, arremesso de objetos, destruição de propriedade pública, participação em manifestações, entoação de slogans de protesto, perturbação da segurança nacional, conexão com grupos hostis e envio de conteúdo para minar a segurança.
O Conselho Nacional da Resistência do Irã (CNRI), em comunicado, solicitou ajuda à ONU e a outros órgãos internacionais para tentar salvar os condenados e outros prisioneiros. O CNRI informou que os quatro foram presos durante os protestos em Teerã e submetidos a tortura e interrogatório, sendo condenados sumariamente à morte pela 26ª Vara do Tribunal Revolucionário de Teerã.
“”Mohammadreza Majidi Asl, de 34 anos, sua esposa Bita Hemmati, Behrouz Zamaninezhad e Kourosh Zamaninezhad foram presos durante a revolta em Teerã e submetidos a tortura e interrogatório. Eles foram sumariamente condenados à morte e tiveram todos os seus bens confiscados pela 26ª Vara do Tribunal Revolucionário de Teerã”, afirmou o CNRI.”
Desde o início dos protestos, o Irã já executou sete pessoas ligadas a esses levantes, que, segundo ativistas, foram reprimidos com violência, resultando em milhares de mortos e dezenas de milhares de detidos. Um quinto réu, Amir Hemmati, foi condenado a cinco anos de prisão por “reunião e conluio contra a segurança nacional” e a oito meses por “propaganda contra o regime”.
As manifestações, que começaram devido ao alto custo de vida, evoluíram para uma mobilização nacional contra o governo, atingindo seu auge nos dias 8 e 9 de janeiro. Grupos de direitos humanos acusam a República Islâmica de utilizar a pena de morte como uma ferramenta de repressão para espalhar medo na sociedade, temendo um aumento nas execuções após a guerra contra Israel e os Estados Unidos.
Os quatro condenados foram considerados culpados de atuar em nome dos Estados Unidos.

