O Irã anunciou que está preparado para dar uma ‘resposta imediata e decisiva’ a qualquer ação hostil dos Estados Unidos. A declaração foi feita por Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya, nesta terça-feira, 21.
Abdollahi também colocou em dúvida as negociações com os EUA, que o presidente americano, Donald Trump, pretende realizar no Paquistão ainda nesta semana, antes do cessar-fogo expirar nesta quarta-feira, 22.
O comandante destacou que Teerã possui vantagem militar sobre Washington, especialmente na gestão do Estreito de Ormuz, e não permitirá que Trump ‘crie narrativas falsas sobre a situação no terreno’.
Na última sexta-feira, o Irã havia aberto temporariamente o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo consumido no mundo, mas voltou a fechá-lo no sábado para países ‘hostis’, devido à continuidade do contrabloqueio dos EUA.
Os comentários de Abdollahi surgem após declarações de Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, que afirmou que o Irã não participaria das negociações enquanto estivesse sob ameaça, referindo-se ao cerco naval da Marinha americana. Ghalibaf advertiu que o país estava ‘preparado para revelar novas cartas no campo de batalha’.
Trump, que considera a retomada da livre navegação em Ormuz uma prioridade, ameaçou retomar os bombardeios ao Irã, visando ‘todas as usinas energéticas e pontes’ caso um acordo não seja alcançado até o prazo final de quarta-feira.
Nesta terça-feira, a TV estatal iraniana informou que nenhuma delegação, seja primária ou secundária, partiu rumo a Islamabad, onde ocorreram as primeiras rodadas de negociações. A participação do Irã nas conversas de hoje ainda é incerta, apesar da pressão dos mediadores.
Enquanto isso, o portal de notícias americano Axios reportou que o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, viajou ao Paquistão nesta manhã, acompanhado de Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente. O Axios também mencionou que a protelação iraniana pode ser resultado de um racha interno, com a Guarda Revolucionária Islâmica pressionando os negociadores a adotarem uma postura mais firme contra os EUA.

