A três dias do fim do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, que começou em 7 de abril e vai até quarta-feira, 22, Teerã rejeitou participar de uma segunda rodada de negociações prevista para começar no Paquistão na segunda-feira, 20.
A decisão foi comunicada neste domingo, 19, pela agência estatal Irna, que citou “exigências excessivas”, “irracionais e pouco realistas” por parte dos EUA. A agência também acusou o governo norte-americano de dar declarações contraditórias e violar a trégua. “Nessas condições, não se vislumbra um cenário claro para negociações bem-sucedidas”, afirmou a agência.
““Nessas condições, não se vislumbra um cenário claro para negociações bem-sucedidas”, afirmou a agência.”
Mais cedo, o presidente Donald Trump havia anunciado o envio de uma delegação americana ao Paquistão para uma nova rodada, ao mesmo tempo em que fez novas ameaças ao país. “Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que eles aceitem porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã”, escreveu nas redes sociais.
Na última sexta-feira, 17, Trump declarou à AFP que não restavam “pontos conflitantes” com o Irã e que um acordo estava próximo. “Estamos muito perto. Parece que vai ser algo muito bom para todos. E estamos muito perto de fechar um acordo”, disse.
No entanto, o cenário se deteriorou rapidamente: o Irã anunciou a reabertura total do Estreito de Ormuz na sexta, mas voltou atrás no dia seguinte, alegando um bloqueio naval dos EUA a portos iranianos.
No sábado, 18, a Guarda Revolucionária atirou contra dois petroleiros indianos que transitavam pela via — ação criticada por Trump como “violação total do nosso acordo de cessar-fogo”. O Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo mundial e relevante parcela de fertilizantes, tornou-se um dos principais focos de tensão na guerra entre EUA, Israel e Irã.
O fechamento imposto por Teerã pressionou a economia global. Neste domingo, dois navios-tanque de gás liquefeito foram vistos em direção ao estreito, mas a agência Tasnim informou que as forças armadas iranianas os obrigaram a recuar, elevando ainda mais o risco de confronto direto na região.


