O irmão de 8 anos de Weslenny Rosa Lima, de 9, que faleceu após ser envenenada, prestou depoimento à Polícia Civil. Ele relatou que tanto ele quanto a irmã já haviam sido agredidos pelo padrasto, Ronaldo Alves de Oliveira, que foi preso sob suspeita de envenenar as crianças em Alto Horizonte.
O menino também foi internado após consumir o mesmo alimento que a irmã. A morte de Weslenny foi confirmada no sábado, dia 28 de março. No dia 27, o irmão foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido ao envenenamento.
O delegado Domênico Rosa informou que o menino declarou que o pai biológico chegou a brigar com o padrasto por causa das agressões. Ele também mencionou que a mãe deles já havia sido agredida pelo suspeito. “Ele disse que, pontualmente, — não era algo frequente, eu quero deixar isso bastante claro —, mas a criança chegou a dizer que pontualmente ele agredia sim, não só a ele, mas também a irmãzinha que morreu”, explicou o delegado.
O caso está sob investigação da Polícia Civil. Ronaldo passou por audiência de custódia na quinta-feira, dia 2 de abril, e a Justiça decidiu manter sua prisão. Ele foi detido na quarta-feira, dia 1º, após um mandado de prisão preventiva ser emitido contra ele.
Na casa da vítima, a polícia encontrou uma panela com arroz misturado a “grânulos escuros”, que são compatíveis com chumbinho, um veneno proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2012. O delegado destacou que a substância é a mesma que causou a morte de quatro gatos da vizinhança.
Laudos periciais confirmaram que os grânulos encontrados no arroz eram realmente chumbinho e que a causa da morte da menina foi envenenamento exógeno causado pelo mesmo veneno. O delegado também ressaltou que Ronaldo foi o responsável por cozinhar o jantar que as crianças consumiram.
Nábia Rosa Pimenta, mãe das crianças, afirmou que acredita que o crime foi cometido pelo companheiro por não aceitar o fim do relacionamento. Ela descreveu que o relacionamento com Ronaldo, de 46 anos, era repleto de discussões e tensão. “Ele teria motivos de sobra para me atacar, porque eu já vinha falando há muito tempo que não dava mais. E ele não aceitava o fim”, disse Nábia.
A mãe também relatou que tinha medo do companheiro e que, em outras ocasiões, ele teria dado medicamentos para que ela dormisse. Ela mencionou que, por desconfiar do comportamento dele, pedia que ele experimentasse a comida antes de servir à família.
“A defesa de Ronaldo declarou que recebeu a notícia da prisão com naturalidade e, por acreditar na inocência dele, orientou que ele se apresentasse espontaneamente à autoridade policial. A defesa aguarda acesso ao caderno investigativo para adotar as medidas legais cabíveis.”

