Um novo estudo publicado na revista científica BMC Cardiovascular Disorders revela que dormir em horários irregulares pode ser mais perigoso do que se imagina, especialmente para aqueles que já têm uma média de sono abaixo de oito horas por noite.
A pesquisa indica que a combinação de irregularidade nos horários de sono e menos de oito horas de descanso pode dobrar o risco de problemas cardiovasculares sérios, como infarto e AVC. O estudo acompanhou mais de 3 mil adultos de meia-idade por mais de dez anos, monitorando seus hábitos de sono com dispositivos vestíveis.
A regularidade do sono é um fator importante. Os pesquisadores analisaram três aspectos: horário de dormir, horário de acordar e o ponto médio do sono. Aqueles que dormiam menos de 7 horas e 56 minutos por noite e mantinham horários irregulares para dormir apresentaram um aumento de até 101% no risco de eventos cardiovasculares graves.
O médico especialista em pneumologia e medicina do sono, Sarathi Bhattacharyya, explicou que a desregulação do ritmo circadiano prejudica o período de recuperação do corpo e a sinalização hormonal, aumentando os hormônios do estresse e contribuindo para o risco cardiovascular.
Por outro lado, a variação no horário de acordar não mostrou associação significativa com o risco cardiovascular, desafiando a ideia comum de que acordar sempre no mesmo horário seria o fator mais importante.
O ritmo circadiano, considerado um “relógio interno”, regula funções essenciais do organismo, como pressão arterial e liberação de hormônios. Quando esse sistema se desorganiza, pode afetar diretamente a saúde cardiovascular. Comportamentos como dormir em horários muito diferentes, trabalhar em turnos ou fazer refeições tarde da noite podem contribuir para esse desequilíbrio.
Além disso, a privação crônica de sono está associada a alterações nos níveis de açúcar e colesterol, obesidade, declínio cognitivo e depressão. Em contrapartida, uma boa noite de sono favorece a eliminação de toxinas do cérebro e a redução da pressão arterial.
O estudo também observou que o efeito negativo da irregularidade no sono foi significativo apenas entre aqueles que dormiam menos do que a média. Para os participantes que dormiam cerca de oito horas ou mais, a irregularidade não se associou ao aumento do risco cardiovascular, sugerindo que uma duração adequada de sono pode atenuar os impactos de uma rotina desorganizada.
Apesar das limitações do estudo, como o número relativamente baixo de eventos cardiovasculares e a avaliação da qualidade do sono em apenas uma semana, os resultados se somam a evidências sobre a influência do sono na saúde. Um levantamento da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) de 2024 mostrou que 11% dos entrevistados dormem quatro horas ou menos por noite, 49% entre cinco e seis horas e apenas 40% atingem o mínimo recomendado de sete horas ou mais.
Para aqueles que enfrentam dificuldades frequentes para dormir, é aconselhável buscar orientação médica, pois dormir bem é uma necessidade biológica essencial para o funcionamento do organismo.

