O julgamento do ex-governador do Acre, Gladson Camelí (PP), no Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi remarcado para esta quarta-feira, 15 de abril de 2026, às 14h (horário de Brasília). O horário original era às 9h, mas o STJ decidiu alterar o horário, sem revelar o motivo da mudança.
A ação penal contra Camelí pode resultar em condenação criminal, perda de direitos políticos e inelegibilidade. O ex-governador deixou o cargo no início de abril para concorrer a uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A defesa de Camelí solicitou o desentranhamento de provas produzidas entre 25 de maio de 2020 e 12 de janeiro de 2021.
O Ministério Público Federal (MPF) acusa Camelí de integrar uma organização criminosa envolvida em fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. A denúncia foi aceita pela Corte Especial do STJ em maio de 2024, iniciando a fase de julgamento.
A análise do caso começou em dezembro de 2025, quando a relatora, ministra Nancy Andrighi, votou pela condenação de Camelí em todas as acusações, fixando pena de 25 anos e nove meses de prisão em regime inicial fechado, além da perda do cargo. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do revisor, ministro João Otávio Noronha, que deve apresentar seu voto.
Se condenado, Camelí pode se tornar inelegível com base na Lei da Ficha Limpa, que prevê a suspensão dos direitos políticos por oito anos após a condenação. Além disso, uma eventual condenação pode resultar em pena em regime fechado, bloqueio de bens e pagamento de R$ 11 milhões de indenização.
Gladson Camelí formalizou sua renúncia ao governo no dia 24 de março, com efeitos a partir de 2 de abril. A vice-governadora Mailza Assis assumiu o comando do estado após sua saída.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em dezembro de 2025, anular provas obtidas na investigação, atendendo a um pedido da defesa que alegou irregularidades na apuração. Apesar dessa decisão, o processo continua em análise no STJ.
A investigação da Operação Ptolomeu, que começou em 2019, foi conduzida pela Polícia Federal e envolve a contratação da empresa Murano, que teria subcontratado outra empresa, beneficiando o governador e causando prejuízos aos cofres públicos.
A defesa de Gladson Camelí reiterou a confiança nas instituições e aguarda o prosseguimento do julgamento, ressaltando que provas obtidas de forma ilícita não podem fundamentar uma condenação.


