O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu o julgamento de Geovani Schaeffer, acusado de atropelar e matar três pessoas durante um torneio leiteiro em Juiz de Fora. A suspensão foi determinada após a Comarca de Bicas alegar falta de segurança e imparcialidade para a realização do júri.
A decisão foi aceita pelo desembargador relator Jaubert Carneiro Jaques, em um despacho assinado em março. O processo já havia sido transferido de Juiz de Fora para Bicas devido aos mesmos motivos. Com a nova manifestação da Comarca de Bicas, o tribunal decidiu suspender o processo até que uma nova cidade seja definida para o julgamento.
O Ministério Público manifestou-se a favor da nova transferência, enquanto a defesa do réu se opôs e solicitou a reavaliação da decisão. Geovani Schaeffer está preso no Presídio de Eugenópolis desde 27 de outubro de 2023 e ainda não tem data definida para o júri popular.
O motorista responderá por homicídio consumado, com três vítimas fatais: Dionizia Marinho Lopes, Elear Maria Faião e Helena Peters de Macedo, uma criança de 3 anos. Também será acusado de tentativa de homicídio, com oito vítimas sobreviventes. As qualificadoras incluem motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
A defesa solicitou um exame de sanidade mental, que indicou que o réu tinha capacidade de entender seus atos. O caso ocorreu na madrugada de 9 de setembro de 2023, durante um torneio leiteiro no estacionamento do Estádio Municipal de Juiz de Fora. Geovani, então com 24 anos, se envolveu em uma briga, saiu do evento e retornou dirigindo em alta velocidade.
Testemunhas relataram que ele invadiu uma área exclusiva para pedestres e avançou contra a multidão sem tentar frear, afirmando que iria “acabar com a festa”. Inicialmente, foi informado que 12 pessoas haviam sido atropeladas, mas o processo aponta 11 vítimas, sendo três fatais e oito feridas.
Dionizia Marinho Lopes, de 56 anos, morreu no dia do atropelamento. Helena de Macedo, de 3 anos, faleceu na madrugada do dia 11 de setembro, e Elear Maria Faião, de 58 anos, morreu quase 25 dias após o atropelamento. Um dos feridos, Carlos Damião Clemente, de 43 anos na época, relatou o longo processo de recuperação.
Após o crime, Geovani foi agredido e socorrido em estado grave ao Hospital de Pronto Socorro, onde ficou internado por cerca de 50 dias. Em 27 de outubro de 2023, recebeu alta e foi levado ao Presídio de Eugenópolis, onde permanece. Geovani também possui registros policiais por agressão à ex-companheira e por desentendimentos familiares.

