A sessão do 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro suspendeu, nesta quinta-feira (9), o julgamento de Rodrigo da Silva das Neves, um dos acusados pela morte do bicheiro Fernando Iggnácio em 2020. O júri retornará a partir das 10h desta sexta-feira (10).
Os irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro também tiveram o júri suspenso após decidirem dispensar seus advogados devido a discordâncias sobre a estratégia de defesa. Até o momento, não há nova data prevista para o novo júri deles.
Rodrigo, que passou pelo primeiro dia de julgamento na quarta-feira (8), optou por permanecer em silêncio durante todo o dia. Além dos três réus, outros dois indivíduos teriam participado do assassinato. Ygor Rodrigues Santos da Cruz, que era suspeito de auxiliar no crime, foi encontrado morto em 2022, e Rogério de Andrade, acusado de ser o mandante do crime, não está incluído na mesma sessão do julgamento dos outros três acusados.
Rogério é sobrinho de Castro de Andrade, chefe do jogo do bicho no Rio de Janeiro e considerado um dos maiores contraventores brasileiros. Fernando Iggnácio foi morto em 10 de novembro de 2020, no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, na zona Sudoeste do Rio, enquanto voltava com a esposa de sua casa de praia em Angra dos Reis.
Uma das suspeitas sobre o assassinato envolve a disputa de cargo entre Fernando e Rogério. Em 1998, o filho de Castor de Andrade, Paulo de Andrade, foi assassinado em uma emboscada na Barra da Tijuca, o que gerou uma competição interna entre os Andrade.
Após o crime, em março de 2021, o MPRJ denunciou Rogério de Andrade pelo homicídio. A denúncia afirma que Marcio Araújo de Souza, responsável pela segurança pessoal de Rogério, contratou os demais denunciados para executar o crime. A investigação identificou que Rodrigo das Neves e Ygor da Cruz já trabalharam como seguranças da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, cujo patrono é Rogério de Andrade.
Em fevereiro de 2022, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal determinou o trancamento da ação penal por insuficiência de provas quanto à participação de Rogério como mandante. O GAECO e o MPRJ reuniram novos elementos sobre a escalada de violência decorrente da disputa entre grupos criminosos, resultando em nova denúncia contra Rogério de Andrade e Gilmar Eneas Lisboa.
Segundo a acusação, Gilmar teve papel fundamental na execução, monitorando a rotina da vítima em Angra dos Reis até o momento do crime. Pedro Emanuel, ex-policial militar, foi preso em janeiro de 2025, no Paraguai, e é acusado de realizar pesquisas sobre a rotina da vítima e sobre o tipo de arma usada no crime.

