A Justiça da Itália decidiu nesta quinta-feira (16) acatar o pedido do Brasil para a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, em relação ao caso da arma. A confirmação veio do embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza.
A defesa de Zambelli apresentou um recurso em 10 de abril, buscando reverter uma decisão anterior da Justiça italiana que já havia autorizado a extradição da ex-deputada ao Brasil, relacionada à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O advogado Pieremilio Sammarco confirmou essa informação à TV Globo.
No fim de março, a Corte de Apelações da Itália, a última instância da Justiça italiana, acatou o pedido de extradição feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa ainda pode recorrer antes que o caso seja levado à decisão final do governo italiano.
Os advogados de Zambelli reiteraram em comunicado que a defesa questiona o sistema carcerário brasileiro, critica a atuação do ministro Alexandre de Moraes e aponta possíveis irregularidades processuais. Além disso, argumentam que o crime digital atribuído à parlamentar não possui equivalência na legislação italiana, o que é um requisito essencial para a extradição.
Zambelli, que possui cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado pela fronteira com a Argentina e passou pelos Estados Unidos antes de chegar à Itália. Ela é considerada foragida da Justiça brasileira, uma vez que fugiu após uma condenação do STF.
O STF formalizou um pedido de extradição, assinado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. Atualmente, Zambelli permanece presa em Roma, pois as autoridades italianas consideram que há risco de fuga.
O Brasil e a Itália mantêm um tratado recíproco de extradição, em vigor desde 1993, que já foi acionado diversas vezes. O primeiro artigo do tratado estabelece a obrigação de ambos os países de entregar pessoas procuradas para julgamento ou cumprimento de pena.
Em dezembro, o STF brasileiro ordenou a cassação do mandato de Zambelli, revogando uma decisão anterior da Câmara dos Deputados. Ela apresentou uma carta de renúncia três dias depois. Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do CNJ e fugiu para a Itália após a decisão.
A ex-deputada está presa na Itália desde 29 de julho de 2025, em um presídio nos arredores de Roma, que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta, dividido em oito seções.


