A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, conceder liberdade provisória ao médico Marcello Pereira Valle e à enfermeira Juliana da Silva Benedito Varga. Ambos foram presos em flagrante em uma clínica de reprodução em São Conrado, na Zona Sul do Rio, na terça-feira anterior.
Os profissionais foram detidos por supostamente integrarem um esquema ilegal de distribuição de canetas emagrecedoras e medicamentos vencidos. A audiência de custódia realizada na tarde desta sexta resultou na liberação dos dois, que deverão cumprir medidas cautelares.
Entre as exigências, estão o comparecimento mensal ao juízo até o dia 10 de cada mês, a proibição de se ausentarem da comarca por mais de 10 dias sem prévia comunicação ao juízo e a restrição de contato com as testemunhas do caso. O descumprimento dessas medidas poderá resultar na decretação da prisão preventiva dos réus. As condições têm validade de dois anos e podem ser prorrogadas.
O juiz Matheus Marum Barbosa Baptista, da Central de Audiência de Custódia da Comarca da Capital, afirmou que a prisão em flagrante é válida, mas não há necessidade de convertê-la em prisão preventiva. Ele destacou que a materialidade do delito e a presença de indícios de autoria foram evidentes, com relatos coerentes dos policiais e a confirmação por meio de perícia técnica.
““A própria dinâmica da prisão em flagrante evidencia a materialidade do delito e a presença de indícios de autoria ou participação”, afirmou o magistrado.”
O juiz também explicou que a prisão preventiva só seria necessária se houvesse comprovação de que os réus representavam perigo à sociedade. Apesar da gravidade das acusações, a análise do caso não indicou a necessidade de prisão preventiva, considerando a ausência de violência e as condições pessoais favoráveis dos réus.
A Polícia Civil do Rio prendeu os dois profissionais durante uma fiscalização da Delegacia do Consumidor (Decon), com apoio da Vigilância Sanitária e do Instituto de Criminalística Carlos Eboli. Foram apreendidas ampolas de Tirzepatida, hormônios sem origem comprovada e medicamentos vencidos.
A operação, chamada de Mounjaro, investiga a comercialização e aplicação de medicamentos sem autorização sanitária. Na véspera, um casal já havia sido preso por negociar itens terapêuticos de procedência desconhecida.
A Clínica Origen, onde os réus trabalhavam, é especializada em reprodução assistida e se apresenta como a maior do tipo na América Latina. Em nota, a clínica afirmou que os medicamentos ilegais pertenciam a funcionários e que colabora com as investigações.
“A Clínica Origen atua há quase 30 anos no mercado de medicina reprodutiva com total lisura e comprometimento, seguindo os mais rigorosos padrões internacionais de qualidade e segurança.”

