Ronaldo Caiado (PSD) lançou sua pré-candidatura à presidência da República na segunda-feira, 30 de março, em São Paulo, recebendo o apoio do bispo Samuel Ferreira, líder do Ministério Madureira, uma das maiores correntes da Assembleia de Deus.
Esse apoio traz dupla repercussão positiva para Caiado. Além de conquistar a simpatia de uma das principais lideranças evangélicas do Brasil, ele dificulta a aproximação do presidente Lula com o segmento religioso que mais rejeita seu governo.
Em outubro do ano passado, Ferreira foi recebido no Palácio de Planalto em uma visita articulada pelo Advogado-Geral da União, Jorge Messias. O encontro, que ocorreu em tom amigável, discutiu a indicação de Messias para o Supremo Tribunal Federal, uma escolha que conta com a simpatia das lideranças cristãs, já que ele é um fervoroso protestante da corrente Batista.
O apoio de Ferreira ao PSD de Gilberto Kassab, a quem se refere como seu “líder político” e um “mago da política brasileira”, praticamente sepulta as pretensões do PT de contar com “certa neutralidade” de lideranças evangélicas. O pedido para que os pastores não criticassem o PT foi levado a aqueles que mantêm interlocução com crentes petistas.
““Onde chegar nossa influência estaremos juntos dos milhões de pessoas que frequentam nossos cultos, dentro daquilo que a legislação permite, do lado de fora dos templos, conversando com o povo evangélico, que saberá reconhecer quem é Caiado”, disse Samuel Ferreira, em vídeo apresentado na convenção e publicado no Instagram.”
Ferreira comanda a poderosa Convenção Nacional da Assembleia de Deus no Brasil, a maior denominação do país, com 42.000 templos, 102.000 pastores e milhões de membros. Ele costuma promover palestras de candidatos à presidência e atender pedidos de políticos de diversas ideologias, sendo sua postura democrática reconhecida por seus pares.
A sinalização pela preferência pessoal do bispo indica que a principal ala da Assembleia já fez sua escolha, que deve ser seguida por muitos. No anúncio da pré-candidatura, o deputado federal e pastor Otoni de Paula, que deixou o MDB para se filiar ao PSD, afirmou: “A candidatura será uma opção de equilíbrio, não apenas para o Brasil, mas também para o segmento evangélico nesse país. Caiado será como um bálsamo para nós evangélicos. Viajearei do Oiapoque ao Chuí para dizer ‘chega de guerra dentro da igreja’.”
Otoni de Paula, ex-bolsonarista, chegou a se reunir com o presidente Lula no ano passado, com quem orou. Ele e Lula vinham se aproximando após Otoni romper com o PL no Rio de Janeiro, seu estado natal. Otoni desejava se lançar à prefeitura da capital com apoio do clã Bolsonaro, mas foi preterido por Alexandre Ramagem. Em outubro, ele dará apoio a Eduardo Paes, também do PSD, que disputa o governo do estado com apoio do PT.


