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Keytruda: O remédio de bilhões contra o câncer e sua inacessibilidade

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de abril de 2026 05:04
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O medicamento Keytruda (pembrolizumabe), da farmacêutica Merck Sharp & Dohme (MSD), é um imunoterápico aprovado para tratar ao menos 19 tipos de câncer. No Brasil, é vendido por mais de R$ 20 mil, tornando-se inacessível para muitos pacientes que necessitam do tratamento.

Lançado em 2014, o Keytruda já prolongou a vida de milhões de pessoas, transformando diagnósticos fatais em doenças controláveis. No entanto, uma investigação internacional revelou que a MSD utiliza estratégias legais e comerciais para controlar o acesso ao medicamento, decidindo quem pode ou não receber o tratamento.

““A MSD tem se utilizado de uma combinação de estratégias legais e comerciais para determinar quem tem acesso à medicação”, afirmou a investigação.”

O projeto Cancer Calculus, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), em parceria com 47 veículos de comunicação, investigou os altos preços do Keytruda, que se tornaram um ponto crítico na saúde global. Em 2025, o medicamento gerou uma receita de vendas de 31,7 bilhões de dólares, representando quase metade da receita total da MSD.

Os custos do tratamento variam globalmente, com despesas anuais que vão de aproximadamente 80 mil dólares na Alemanha a 208 mil dólares nos EUA. Esses altos preços pressionam os sistemas de saúde em todo o mundo, e a expansão das vendas do Keytruda no Brasil aumentou 265% entre 2020 e 2024, alcançando 753,7 milhões de dólares.

Apesar do sucesso financeiro, a MSD não se comprometeu publicamente a reduzir o preço do Keytruda. A investigação também revelou que a empresa utilizou um extenso sistema de patentes, com 1.212 pedidos relacionados ao medicamento em 53 jurisdições, incluindo 88 no Brasil, o que pode atrasar a entrada de alternativas mais baratas no mercado.

““A situação é vista como uma ‘fortaleza de patentes’ criada para sufocar a concorrência”, disse Tahir Amin, fundador da Iniciativa para Medicamentos, Acesso e Conhecimento (I-MAK).”

Os preços do Keytruda variam significativamente, com um frasco custando cerca de 850 dólares na Indonésia e mais de 6 mil dólares nos EUA. Essa disparidade é resultado de um sistema de preços pouco transparente, que dificulta o acesso ao medicamento, especialmente em países de baixa renda.

No Brasil, o alto custo dos medicamentos contra o câncer resultou em um aumento de processos judiciais, com milhares de pacientes buscando acesso ao tratamento por meio de ordens judiciais. O Keytruda se tornou um símbolo das desigualdades no acesso à saúde.

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