A Kraken recebeu aprovação para operar com uma conta master no Federal Reserve (FED) em 16 de abril de 2026. Essa autorização representa um passo inédito na relação entre criptomoedas e o sistema financeiro dos Estados Unidos.
Vanessa Butalla, vice-presidente de Jurídico, Compliance e Riscos do Mercado Bitcoin, explicou que a empresa agora pode acessar os trilhos de pagamento do banco central.
““Na prática, esse processo encurta o caminho das operações em dólar, permitindo liquidações mais diretas e menos dependentes de intermediários bancários”, afirmou.”
A conta foi concedida com limitações, com acesso parcial e sem incluir instrumentos tradicionais do FED, o que demonstra cautela das autoridades. O movimento ocorre em meio a questionamentos sobre a transparência do processo e os impactos potenciais na estabilidade do sistema financeiro, especialmente com a entrada de empresas não bancárias em estruturas críticas.
Butalla também comentou sobre a mudança mais ampla no mercado.
““Vemos empresas que nasceram no ambiente digital passarem a acessar diretamente estruturas do sistema financeiro tradicional, o que reduz fricções operacionais e aproxima os dois universos”, disse.”
A executiva destacou que essa aproximação ocorre paralelamente ao avanço da regulação, que pode redefinir o setor nos próximos anos.
““A integração entre empresas de cripto e o sistema financeiro tradicional, em um ambiente mais regulado, tende a ampliar a confiança do investidor”, afirmou.”
Para os investidores, o principal impacto está na infraestrutura que suporta a operação, resultando em
““transações mais rápidas, menor fricção e maior previsibilidade nas movimentações”, analisou Butalla.”
Ainda assim, a integração não elimina os riscos característicos do mercado cripto, como volatilidade e diferenças entre plataformas. O caso da Kraken é considerado um precedente relevante para o setor, mesmo sem mudanças imediatas.
““Não se trata de uma abertura ampla ou imediata. O acesso segue restrito, com critérios rigorosos, o que reforça que essa evolução deve acontecer de forma gradual e seletiva, privilegiando empresas com maior grau de maturidade, governança e alinhamento regulatório”, concluiu.”

