Lamine Yamal, jogador da seleção espanhola e do Barcelona, usou suas redes sociais nesta quarta-feira (1º) para condenar os cânticos islamofóbicos entoados por torcedores durante o amistoso contra o Egito, realizado na terça-feira (31) em Barcelona.
O atleta, que é muçulmano, se referiu aos responsáveis pelos gritos como “ignorantes e racistas”. Ele afirmou: “Eu sou muçulmano. Ontem, no estádio, ouvi os cânticos de ‘quem não salta é muçulmano’. Sei que era para a equipe rival e não era pessoal contra mim, mas como muçulmano não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável”.
Yamal também destacou: “Entendo que nem toda a torcida é assim, mas aos que cantam essas coisas: usar uma religião como piada em um campo de futebol deixa vocês como pessoas ignorantes e racistas. O futebol é para ser desfrutado e animar, não para falta com respeito às pessoas pelo que elas são ou por aquilo em que elas acreditam. Dito isso, obrigado às pessoas que vieram nos apoiar, nos vemos no Mundial”.
A polícia espanhola iniciou uma investigação sobre os cânticos islamofóbicos e xenófobos durante a partida, que terminou empatada sem gols no RCDE Stadium, casa do Espanyol. O ministro da Justiça, Félix Bolaños, também condenou os gritos nas redes sociais e reafirmou a posição do governo contra o avanço da extrema direita, que, segundo ele, está associada ao crescimento do racismo e da xenofobia.
““Insultos e cânticos racistas nos envergonham como sociedade. A extrema direita não deixará nenhum espaço livre de seu ódio, e aqueles que permanecem em silêncio hoje são cúmplices”, escreveu Bolaños.”
O incidente reacende preocupações sobre o racismo no futebol espanhol, um problema que se tornou recorrente, especialmente após episódios envolvendo o atacante brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid. Durante o jogo, o estádio exibiu mensagens nos telões alertando os torcedores de que participar de atos racistas e xenófobos é crime, mas os cânticos persistiram.
O técnico da seleção espanhola, Luis de la Fuente, declarou que o comportamento racista dos torcedores é intolerável. “Eles não representam o futebol. Se aproveitam do futebol, como fazem em outras áreas da vida. Precisamos isolar essas pessoas da sociedade”, afirmou.


