O lavrador Antônio Pereira da Silva, de 74 anos, recuperou sua identidade oficial após uma batalha judicial de mais de uma década. Ele foi declarado morto devido a um erro de homônimo, o que resultou em 10 anos sem registros oficiais.
O problema começou quando Antônio perdeu sua certidão de nascimento em um incêndio na fazenda onde trabalhava. Ao tentar emitir a segunda via em Miracema do Tocantins, descobriu que sua certidão não havia sido registrada. Apesar de afirmar que o documento existia, não foi encontrado nenhum arquivo.
Após meses de busca em diferentes cartórios, Antônio se deparou com uma certidão de óbito de um homem com o mesmo nome, que havia falecido em São Paulo. O nome da mãe também era semelhante, com apenas uma letra diferente. “Saí do Fórum direto para casa. Chorei bastante, quase entrei em depressão”, relembrou.
A Defensoria Pública solicitou documentos referentes à morte de Antônio à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em Osasco, para comprovar o erro. O relatório indicava que ele havia falecido em um acidente de trânsito, mas a perícia do Instituto de Medicina Legal confirmou a existência de dois Antônios.
A falta de documentos impediu Antônio de acessar serviços básicos ao longo dos anos. Recentemente, ele recebeu sua certidão de nascimento, um momento que trouxe emoção tanto para ele quanto para a servidora que entregou o documento.
Com a certidão em mãos, Antônio já providenciou o CPF e a nova identidade. “É a primeira identidade que eu vou pôr no bolso. É um recomeço da minha vida, para começar da estaca zero”, afirmou.


